O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), anunciou ontem, numa carta encaminhada ao presidente do partido, senador Maguito Vilela (GO), que desistiu de disputar a presidência da legenda. No texto, o governador mineiro atribui sua decisão às ‘‘manobras ardilosas’’ do presidente Fernando Henrique Cardoso, com o objetivo de atrair os peemedebistas favoráveis à sua candidatura.
No texto, o governador ainda acusa ‘‘tentativas insólitas de aliciamento de correligionários nossos pelos representantes do Palácio do Planalto, práticas que desfiguram o sistema republicano e abastardam a vida partidária acumuladas com a situação de dificuldade em que vive o Brasil e a incerteza do rumo a que as coisas estão sendo conduzidas’’.
Itamar admite que não conseguiu aglutinar correntes partidárias em torno desse objetivo. Segundo ele, os resultados evidentes ‘‘são nefastos’’ e as consequências sobre o partido danosas, temendo que a cizânia seja fatal para o partido. ‘‘Nada de pior poderia suceder ao PMDB do que a desunião do partido’’, afirma Itamar na carta.
A desistência de Itamar surpreendeu os seus aliados, como o ex-deputado Paes de Andrade (CE) e o vice-governador mineiro, Newton Cardoso (PMDB). Ele deixou no ar uma indagação: se ele considera que o partido está esfacelado, como sustentará uma candidatura à Presidência por essa legenda? Diante dessa indagação, surgiram rumores de que Itamar pode deixar o PMDB. Os escudeiros de Itamar, como o secretário de Governo, Henrique Hargreaves, adicionaram indefinição. ‘‘O que ele pensa está escrito na carta a Maguito Viela’’, resumiu Hargreaves, que nem sequer confirmou se Itamar continua pré-candidato à Presidência.
Boatos que ontem circularam em Brasília davam conta de que Itamar teria se irritado até mesmo com Paes, que postulava a indicação e acabou tendo que abrir mão para a tentativa frustrada do governador mineiro de ter o partido unido ao seu lado, conforme relatou na carta.
Um assessor próximo de Itamar insinuou que a disputa pela presidência não se resumia ao governador de Minas e ao deputado Michel Temer (SP). Citou também Paes e disse que aqueles que postulam o cargo, então, que briguem por ele.
Já Maguito Vilela afirmou ontem que a retirada da candidatura de Itamar Franco à presidência do partido ‘‘fortalece’’ a candidatura de Itamar à Presidência da República em 2002 pelo partido. Maguito acrescentou que a desistência de Itamar não significa necessariamente que na convenção nacional do partido, marcada para o dia 9 de setembro, haverá consenso em torno de uma chapa única. ‘‘Acho que acabaremos tendo a disputa. É salutar.’’

mockup