Itamar defende negativa de juízes de depor na CPI
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de abril de 1999
Agência Estado 
O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), defendeu ontem a recusa dos magistrados em comparecer à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Poder Judiciário, mesmo que sejam intimados pelos senadores a prestar depoimento. Segundo Itamar, que passa o fim de semana no Rio, não há meio legal de um Poder, no caso o Legislativo, investigar outro, a Justiça. O não-comparecimento poderia causar choque entre poderes, uma vez que a CPI tem meios legais de mandar conduzir (virtualmente prender) os intimados.
Se fosse parlamentar, eu não assinaria (o pedido para instaurar) essa CPI, afirmou o governador. Se fosse juiz, não iria (prestar depoimento); quem ia me obrigar a ir, a que poder recorrer? O governador não quis, porém, especular sobre o possível motivo que levou o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), a pedir a investigação.
Itamar ressaltou que as críticas à CPI do Judiciário não significam que seja contrário a mudanças na Justiça. É preciso uma reforma (no Poder Judiciário), afirmou. Há muita coisa a mudar; nós estamos sentindo (os efeitos supostamente negativos da falta de mudanças na Justiça brasileira). No dia 21, nas comemorações do aniversário da Inconfidência Mineira, em Ouro Preto (MG), Itamar dará mais um sinal de solidariedade aos magistrados. A convite dele, será orador da cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência o presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado, desembargador Luiz Urbano. A magistratura passa por um momento difícil, disse. Itamar também demonstrou ceticismo com relação à CPI dos Bancos, pedida pelo líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho .


