Itamar defende frente de esquerdas
Patrícia Zanin
De Londrina
Além do afastamento do PMDB da base de FHC, o governador de Minas e ex-presidente Itamar Franco (PMDB) defendeu ontem em Londrina a união de partidos de esquerda. Não podemos dizer que temos um programa. Temos que combater a recessão, a política econômica e essa entrega que foi feita através do FMI, disse.
Mas Itamar se recusou a adiantar as linhas básicas de um programa das oposições, alegando que se o fizesse estaria faltando com a ética. Quando prego a união do PMDB com forças de centro-esquerda, não poderíamos adiantar. Se os outros partidos de esquerda entenderem que nós devemos ter programa comum, independente de termos candidatura separada em 2000 e 2002, aí sim poderemos apresentar nossa proposta. Itamar disse que não é candidato à presidência da República em 2002.
Questionado sobre como convencer a cúpula do PMDB a se retirar do governo, ele disse que não saberia responder. Costumo fazer essa pergunta nas madrugadas e é a única que eu não vou saber responder, afirmou Itamar.
O ex-presidente disse, no entanto, que se não houver uma reação da ala do partido que reza na cartilha do PSDB e do PFL, se assistirá ao funeral glorioso do PMDB. Ou se cria vergonha e se entende o sentimento nacional, ou esse partido vai acabar. Ele disse que a morte da sigla significará derrota nas urnas. Como o PMDB vai chegar às ruas e pedir votos se continuar apoiando essa política econômica do senhor presidente?
O governador mineiro disse que a transformação democrática pregada pelo PMDB obedece o calendário eleitoral. Ele não quer a renúncia de FHC como defendem setores do PMDB como o senador Roberto Requião e o PDT. Não estamos falando em afastamento. Essa gente que está aí, levando o País à promiscuidade, à recessão e à quebra dos interesses nacionais pode sair através das eleições.
Ele disse esperar que o resultado do Congresso Estadual do PMDB ontem em Londrina chegue ao Planalto. Não é preciso brigar com quem quer que seja e sim se afastar desse governo, defendeu.
A comitiva de Itamar Franco, que só voltará hoje para Belo Horizonte, reúne sete assessores. Além do chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves, o governador trouxe dois assessores de imprensa, um segurança e outros três funcionários do alto escalão. Entre as exigências para sua vinda estavam uma caminhonete para oito pessoas e suíte no hotel, próxima à de Requião.
Quando chegou ao encontro, por volta das 11 horas, Itamar Franco, que tem fama de ter um comportamento instável e polêmico, não quis falar com a imprensa. Também não concordou com o apelo feito por membros do diretório estadual para aguardar ser anunciado por Requião. Entrou no ginásio do Filadélfia e sentou entre Requião e Orestes Quércia, de onde ouviu o final do discurso de Requião, de Paes de Andrade e de Quércia. Só depois disso Itamar fez o seu pronunciamento e, em seguida, concedeu rápida entrevista coletiva.





