Juliana Gontijo
Agência Folha
De Belo Horizonte
O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), ficou irritado ontem ao comentar as declarações do presidente do Clube dos Oficiais da PM, coronel reformado Edvaldo Piccinini, dadas no último sábado. ‘‘Enquanto estiver aqui, o comando da Polícia Militar é meu’’, afirmou Itamar, durante a reunião sobre os 250 dias do seu governo. Itamar chegou a dar um soco na mesa.
O governador disse que, no dia em que o comandante da Polícia Militar contestar as ordens do governador do Estado, ele ficará enfraquecido não só perante a PM, mas na sua consciência e também diante de seu povo. O coronel reformado Edvaldo Piccinini havia afirmado que os militares vão participar ‘‘a contragosto’’ das manobras na região do lago de Furnas, no sudoeste de Minas.
A manobra é questionada por setores da PM por sua suposta utilização política. Furnas Centrais Elétricas S/A deverá ser privatizada pelo governo federal, mas o governador mineiro é contra.
Segundo Piccinini, a Polícia Militar não pode fugir de sua finalidade, que é proteger os cidadãos de Minas, e se transformar em instrumento de manobra política do governador.
De acordo com Itamar, a ida dos oficiais até Furnas é uma rotina de treinamento da Polícia Militar e serve também para que eles tenham o conhecimento da importância do local. Ele afirmou que as manobras militares previstas para o próximo mês serão mantidas e que contarão com a participação da Polícia Civil.

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