Agência Estado
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De novoItamar, no momento do desembarque: ataque à equipe econômicaO ex-presidente Itamar Franco, que desembarcou ontem em Brasília vindo de Washington, demonstrou insatisfação com algumas das medidas tomadas pelo governo no pacote econômico anunciado na segunda-feira, sobretudo a que prevê a demissão de 33 mil servidores públicos. ‘‘Ainda não pude estudar com calma todos os pontos do pacote’’, esquivou-se. ‘‘Quero ler melhor para poder fazer uma análise precisa, mas tenho uma visão diferente da que tem o presidente Fernando Henrique Cardoso sobre a demissão de funcionários.’ Itamar disse ‘‘nunca’’ ter achado necessário demitir servidores. ‘‘A minha visão, na época, foi a de não demitir funcionários. Ele, provavelmente, deve ter alguma explicação para tomar essa atitude.’
Para aliados, o ex-presidente também reprovou o aumento da taxa de juros. Itamar costuma lembrar que nos Estados Unidos, onde ocupa a função de embaixador do Brasil junto à OEA, os financiamentos são facilitados para permitir o desenvolvimento da economia.
O ex-presidente permaneceu em Brasília apenas uma hora e meia, viajando logo depois para o Rio de Janeiro, onde acompanhará o casamento de sua filha Fabiana. Almoçou no aeroporto com Maurício Correia, ministro da Justiça do seu governo e atualmente ministro do Supremo Tribunal Federal. ‘‘Conversamos sobre latim. Vim no avião com uma dúvida sobre um poema de Virgílio e queria tirá-la com ele, já que o ministro é um latinista de primeira’’, justificou.
Na livraria do aeroporto, Itamar comprou o livro de memórias do ex-presidente Ernesto Geisel. ‘‘Eu já estava no Congresso nessa época’’, disse, referindo-se ao governo Geisel. No livro, Itamar vai encontrar pelo menos três referências a seu nome, todas ruins.
A idéia de Itamar é definir sua candidatura entre abril e maio. O problema é que o PMDB, partido ao qual Itamar está filiado, pode acabar decidindo não lançar candidato próprio à Presidência, apoiando a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. A reunião de ontem do Conselho Político do partido, promovida pelo grupo que deseja aderir à candidatura governista, foi considerada ‘‘uma tolice’’ por Itamar.
Greve A CUT (Central Única dos Trabalhadores) organiza uma greve geral contra o pacote fiscal do governo. Ontem, a entidade realizou um ato de protesto em Brasília. ‘‘A greve é inevitável. Estamos preparando o movimento nos Estados. A direção nacional da CUT vai avaliar em dezembro nossa organização’’, disse José Zunga, presidente da CUT-DF.
Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, presidente da CUT, afirmou que ‘‘se tivermos que fazer a greve geral para termos empregos nós vamos fazer’’.

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