Itamar costura seu retorno ao Planalto
Agência Estado
De Brasília
O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), já montou sua estratégia para lançar informalmente sua pré-campanha para a sucessão presidencial de 2002. Ele irá tirar uma licença de três meses durante as eleições municipais do próximo ano para começar a percorrer o Brasil nesse período. Com isso, além de fortalecer o seu nome nacionalmente, Itamar também honra um dos seus principais compromissos de campanha, que é o de possibilitar o seu vice, Newton Cardoso, de assumir o máximo possível o comando do Palácio da Liberdade.
Atento com as movimentações pelo País do ex-ministro Ciro Gomes (PPS) e do governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), Itamar acha que não pode ficar só em Minas, apesar de continuar afirmando para seus interlocutores mais próximos que o seu sucesso numa disputa presidencial dependerá do desempenho do sua administração. A estratégia será lançada independente dele continuar ou não do PMDB.
Na semana passada, o partido resolveu convocar o Conselho Político para marcar uma convenção extraordinária com o objetivo decidir se o PMDB permanece ou não na aliança de sustentação governo federal. Se o partido continuar governista, Itamar sai da legenda.
Até agora pouquíssimos assessores do governador foram informados de sua intenção de pedir licença do cargo. A idéia é deixar o vice-governador Newton Cardoso mais livre para fazer campanha em Minas, num aquecimento para a sucessão estadual. O próprio Newtão tem falado para amigos que ele será o responsável pela campanha mineira. Itamar cuidará do Brasil, costuma repetir o vice.
Oficialmente. Itamar nega que disputará a próxima eleição presidencial. Mas quem conversa com ele garante que o governador é candidatíssimo. Não tenho dúvida que ele já está na disputa, atesta o senador Pedro Simon (PMDB-RS), que esteve com Itamar no último dia 3. Ao restabelecer o prestígio de Minas na cena nacional, Itamar passou a ser um fortíssimo candidato, reforça o secretário estadual de Agricultura, Raul Belém.
Na verdade, Itamar teme ficar na mira dos holofotes durante muito tempo, caso lance oficialmente sua candidatura. Por isso, a ordem é fazer campanha informalmente. Apesar de negar, ele é candidato, confirma o deputado Zaire Rezende (PMDB-MG). Mas ele não pode lançar sua candidatura agora, já que isso o deixaria muito exposto, explica o deputado mineiro, lembrando que em 1994 a candidatura presidencial do ex-governador paulista Orestes Quércia (PMDB) sofreu um duro golpe porque foi lançada três anos antes.
Apesar da certeza de sua candidatura, Itamar hoje vive atormentado com o seu futuro partidário. São quatro as opções que ele está avaliando: permanecer no PMDB; ir para o PSB; fundar uma nova legenda; ou ficar sem partido até um ano antes da eleição período máximo permitido pela legislação para quem deseja disputar um cargo público. Sobre a criação da nova sigla, Itamar continua recebendo estudos elaborados pelo advogado José de Castro sobre um partido com características do liberalismo social. Mas essa será a sua última alternativa. As outras duas opções só serão avaliadas depois que o PMDB decidir sua relação com o governo Fernando Henrique Cardoso.Estratégia do governador mineiro é licenciar-se por três meses durante as eleições municipais de 2000 para percorrer o Brasil
Arquivo FolhaPRESSAItamar: fortalecer seu nome nacionalmente e cumprir compromisso de possibilitar seu vice de assumir o governo





