Após 207 anos do grito de Liberdade, dado por Joaquim da Silva Xavier, em Minas Gerais, a Praça Tiradentes no centro da cidade de Ouro Preto (MG) voltou a ser palco de uma manifestação contra o governo federal. Líderes sindicais, governadores, deputados, representantes do Poder Judiciário e um público estimado em 25 mil pessoas acompanharam a entrega da Medalha dos Inconfidentes a 88 personalidades e entidades que prestaram serviços a Minas Gerais ou ao ideal de liberdade. Pela primeira vez no Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) foi oficialmente homenageado por um governo recebendo a comenda.
A Cáritas, entidade ligada a Igreja Católica e que se destaca pela proteção a refugiados de guerra, também recebeu homenagem. A cerimônia teve um clima de protesto contra a política econômica do governo Fernando Henrique Cardoso, o que deu uma simbologia diferente à solenidade, que desde 1964 não era aberta ao público. Bandeiras do MST, MR-8, sindicato de trabalhadores, partidos de esquerda e fotos de Che Guevara era o que mais se via na praça.
Com a presença dos governadores Itamar Franco (PMDB), de Minas Gerais, Olívio Dutra (PT), do Rio Grande do Sul, além de políticos como Aureliano Chaves, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Leonel Brizola (PDT), Miguel Arraes (PSB), Orestes Quércia (PMDB) e dos sindicalistas José Rainha, Vicente Paulo da Silva (Vicentinho) e João Pedro Stedile, foi lançado um ‘‘movimento contra a política econômica’’. Um caixão foi carregado durante todo tempo pela Praça Tiradentes representando o FMI e FHC. Em todos os discursos foi pedida a renúncia de Fernando Henrique Cardoso e Marco Maciel (PFL).
Itamar Franco falou rapidamente. Pediu a união dos Estados contra os abusos do governo federal e considerou como mais uma provocação de Fernando Henrique o bloqueio, na terça-feira à noite, de outros R$ 35 milhões que deveriam ser repassados a Minas Gerais. ‘‘Aos banqueiros ele permite a retirada de milhões de dólares no País, deixa nosso povo com fome e sem emprego’’ falou Itamar, ressaltando que não permitirá a privatização de usinas e rios do Estado. ‘‘Não tentem isto. Aí sim nos teremos o confronto’’, ameaçou.

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