Polêmico e intempestivo, Itamar Agusto Franco coleciona fatos e feitos que marcam sua trajetória política, a exemplo de sua decisão de decretar moratória e derrubar Bolsas de valores no mundo. Eleito governador de Minas Gerais, depois da novela sobre a indefinição de sua candidatura à Presidência, Itamar Franco parece mesmo destinado à briga em defesa de suas idéias.
Na época em que era presidente da República, o governador teve grandes desavenças com integrantes da equipe econômica, entre eles o atual presidente do Banco Central, Gustavo Franco, então diretor da área internacional do BC, e o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Com ACM, os desentendimentos ganharam contornos políticos quando o senador anunciou que tinha um dossiê contra sua administração. Itamar decidiu contra-atacar convidando repórteres a aguardarem o senador em seu gabinete. Ele pediu que ACM divulgasse os detalhes do dossiê e o resultado é que o conteúdo do documento acabou perdendo força.
Nascido em um navio (um ‘‘ita’’, daí o nome), o ex-presidente, líder da chamada ‘‘República do Pão de Queijo’’ - grupo político formado por fiéis amigos e assessores mineiros na Presidência - ele foi manchete nos jornais ao protagonizar um escândalo: foi fotografado no Sambódromo do Rio, no Carnaval de 1994, ao lado da modelo Lilian Ramos, que estava sem calcinha.
Na política, Itamar, que começou na vida pública em 1966 como prefeito de Juiz de Fora, cidade onde foi criado, sempre esteve ligado às idéias antiprivatistas, bem dentro da linha do movimento da década de 50 ‘‘O Petróleo é Nosso’’. Sua juventude aconteceu na época da campanha em defesa do monopólio. Daí sua ligação recente com a mobilização contra a venda da Companhia Vale do Rio Doce e das teles.
Em meio a brigas com a política econômica quando era presidente da República, Itamar sempre rejeitou qualquer possibilidade de se iniciar um processo de privatização daquilo que considerava ser patrimônio nacional: o setor de energia elétrica e a Vale. O BNDES insistiu na privatização das companhias de energia elétrica, mas o então presidente vetou qualquer possibilidade de o processo ser iniciado.
‘‘No meu dicionário e no dicionário de Itamar não existe a palavra privatização’’, afirmou certa vez o então presidente de Furnas Marcello Siqueira, amigo de longa data do ex-presidente.
Candidato a vice-presidente na chapa com Fernando Collor pelo PRN, Itamar assumiu o governo depois do impeachment em 1992. Depois de deixar o Planalto, ele passou a fazer parte do time dos opositores do presidente FHC por causa do programa de desestatização intensificado pelo governo tucano. As privatizações e, finalmente a aprovação da emenda da reeleição, o afastaram de vez de FHC.
MinasAdversários políticos atualmente, Itamar Franco e o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga (PSDB), já marcharam lado a lado na política mineira. Na disputa pelo governo de Minas em 1986, depois de perder na convenção estadual do PMDB a vaga de candidato, Pimenta da Veiga liderou a dissidência no partido em apoio ao então candidato ao governo Itamar Franco, que saiu derrotado da disputa. Itamar, que também era do PMDB, deixou a legenda para se abrigar no PL, mas perdeu para Newton Cardoso, que hoje é seu vice-governador.

mockup