O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), inicia hoje em Brasília nova investida para tentar buscar respaldo político para o seu confronto com o governo federal. Ele ficará na cidade até terça, quando terá a principal missão da viagem: tentar convencer os senadores peemedebistas que são plausíveis as causas que levaram o Estado a suspender por 90 dias o pagamento das parcelas da dívida com a União.
Por intermédio do senador mineiro José Alencar (PMDB), Itamar conseguiu agendar o encontro com os 27 senadores do partido. O governador e outros peemedebistas que já aprovam a moratória e a resistência ao diálogo com o presidente Fernando Henrique Cardoso apostam na reunião como um divisor de águas. Acham que depois da exposição, Itamar irá arrematar maior número de adeptos dentro da legenda. A assessoria do governador informou ontem à tarde que o único compromisso confirmado era a reunião com os senadores. A agenda de hoje seria definida pela manhã em Brasília.
Não há nada acertado sobre uma possível participação de Itamar na reunião que o presidente Fernando Henrique Cardoso agendou com o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), também para hoje. Em encontro reservado com o petista depois da reunião com 26 governadores na sexta-feira, FHC teria estendido o convite a Itamar. Anteontem, Itamar repetiu, em entrevista coletiva, que está aberto ao diálogo, desde que o governo federal suspenda os bloqueios e devolva aos cofres do Estado os mais de R$ 100 milhões que foram retidos e que diga aos organismos internacionais que o Estado não é caloteiro. Os bloqueios dos recursos constam como garantia no contrato de renegociação da dívida assinado pelo tucano Eduardo Azeredo (PSDB), antecessor de Itamar, e não há perspectiva de recuo da União, como quer o governador.
Ao ver os demais governadores se encantarem com as promessas de FHC para resolver os problemas domésticos dos Estados, o governador Itamar Franco está mudando o foco principal de suas críticas ao governo federal para evitar o isolamento. Em vez de ficar repetindo as razões da moratória e a necessidade de renegociação das dívidas, ele passou a criticar com mais contundência a condução da política econômica, os juros altos e o Fundo Monetário Internacional.
Ontem, lamentou o fato de os governadores que se encontraram com FHC não terem discutido a ‘‘modificação’’ da política econômica do país.

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