São Paulo - Em nova investida contra o apoio oficial do PMDB à candidatura governista de José Serra (PSDB), o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), disse ontem em Ouro Preto (MG) considerar importante para Minas e para o País que o próximo presidente tenha ‘‘sentimento de pátria’’ e não represente o ‘‘continuísmo de ações que não interessam ao Brasil’’.
Itamar que, na sexta-feira divulgou nota pregando um ‘‘desgarramento’’ do PMDB da candidatura de Serra, disse que ‘‘Minas não pode escolher qualquer presidente, tem que escolher aquele que tenha sentimento de pátria, o que é fundamental para Minas e para o Brasil’’. E avisou que ‘‘se escolherem o continuísmo naquelas ações que não interessam ao Brasil, nós não devemos votar nele (Serra)’’.
Apesar de fazer oposição ao governo federal desde 1998, Itamar mantinha bom diálogo com Serra e chegou a ser cotado como possível vice na chapa do ex-ministro.
Desde sexta, dia seguinte à decisão do Supremo Tribunal Federal de manter a verticalização nas eleições de outubro, a relação estremeceu. Entre aliados íntimos de Itamar, há duas versões sobre o sentido das críticas a Serra.
A primeira é a de que ele busca liderar a corrente peemedebista - ainda não majoritária - que defende que o partido não se coligue nacionalmente e dê, com isso, liberdade de aliança aos diretórios estaduais.
A tese de afastamento da candidatura Serra, que se choca com as pretensões da cúpula peemedebista, encontra forte respaldo nos setores do partido que defendiam a candidatura própria - caso dos grupos liderados pelo senador Pedro Simon (RS), pelo ex-governador Orestes Quércia (SP) e pelo ex-deputado Paes de Andrade (CE) -, mas mobiliza também setores que até então ou apoiavam a cúpula da legenda ou se mantinham neutros.
Esses são os casos dos peemedebistas do Rio de Janeiro -que fizeram ‘‘coligação branca’’ com o PSB - e aqueles liderados pelo ex-senador Jader Barbalho (PA) e pelos senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP), que controla também o PMDB maranhense.
A mudança de posição destes setores pode complicar a intenção da cúpula da legenda de aprovar na convenção partidária de junho a coligação com os tucanos. Isso porque, em setembro, o grupo oposicionista, até então composto apenas pela ala liderada por Itamar, conseguiu 37,26% dos votos na convenção nacional do partido.
A outra versão diz que Itamar, ao atacar a candidatura Serra, poderia estar querendo colaborar com uma possível substituição do ex-ministro pelo presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves (PSDB), que tem uma amizade pessoal com o governador mineiro.

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