O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB) ameaçou ontem em Brasília abandonar o partido se não receber apoio na sua guerra contra FHC. ‘‘Se os líderes do partido acharem que eu estou atrapalhando, sigo o meu rumo’’, afirmou. Interlocutores de Itamar vêem uma linha tênue segurando o governador no PMDB. A indisposição começou quando, há um mês, o presidente do partido, senador Jáder Barbalho, recusou apoio a Itamar.
A decepção de Itamar voltou à tona ontem, quando ele pediu, em reunião com a bancada do seu partido na Câmara, que os deputados boicotem a votação do segundo turno da reinstituinte da CPMF até que o governo desbloqueie os R$ 144,9 milhões de recursos retidos de Minas desde janeiro, quando o governador declarou moratória à dívida de R$ 3,3 bilhões com a União.
‘‘Se a bancada tiver força para suspender essa votação estaria fazendo um favor para o País, para Minas e para eles mesmos’’, afirmou Itamar. ‘‘Os deputados têm de entender que é só no painel que o presidente vê o parlamentar, depois esquece; já fui presidente e sei disso.’’ Na saída da reunião, o líder do PMDB, Geddel Vieira Lima (BA), foi categórico ao rejeitar o apelo. ‘‘O acordo de aprovar a CPMF até o dia 24 está fechado com o governo federal’’, afirmou.
Segundo deputados que participaram da reunião, o governador não estava à vontade ao lado do líder Geddel Vieira Lima. A desavença entre os dois vem da convenção do PMDB no ano passado quando os dois trocaram acusações em público. Segundo o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), apaziguador, o problema não é pessoal entre Itamar e Geddel. ‘‘Houve um acordo com o governo e não há como mudar isso e sinto em afirmar que o governador não vai ser atendido’’, disse.
Itamar, segundo um assessor, saiu da reunião ‘‘magoado’’, com a impressão que não seria atendido pela bancada e que teria o mesmo saldo da reunião com os senadores do partido há uma semana. ‘‘A reunião com os senadores foi infrutífera’’, sentenciou Itamar. ‘‘Espero que não aconteça o mesmo com a de hoje (ontem).’’ Segundo o governador, a intermediação de Jáder ‘‘não adiantou em nada’’ para uma conversa das equipes econômicas mineira e federal ou uma reunião do governador com FHC. ‘‘Falaram que o presidente queria conversar; conversa fiada, senão ele não teria mandado ministros a Minas e sim teria feito um convite formal.’’ O encontro com Itamar reuniu 80% da bancada.
Itamar voltou a afirmar ontem que considerou um ‘‘erro’’ ter assinado a Carta de Porto Alegre, subscrita pelos sete governadores de oposição há um mês, com reivindicações dos Estados. ‘‘Errei porque a primeira cláusula era não negociar com o governo se houvesse retaliações e bloqueios; o bloqueio continua em MG e não houve solidariedade’’, afirmou. Ele disse que não vai participar do fórum de governadores de 10 de abril em Aracaju (SE) e de outro de governadores da oposição. Mas o governador garantiu que receberá o presidente do PT José Dirceu e Lula num encontro em seu gabinete. ‘‘Eles são solidários’’, afirmou.

mockup