São Paulo - Após meses trocando acusações com o governo federal, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), admitiu ontem que poderá ''apertar a mão'' do presidente Fernando Henrique Cardoso. Os dois participam hoje de uma cerimônia em comemoração aos oito anos do Plano Real.
''Eu não tenho dúvidas que se amanhã (hoje) na reunião ele me estender a mão eu, que sou um homem educado, evidentemente estenderei a mão para ele'', disse Itamar antes de embarcar para o Rio de Janeiro, onde será realizada o evento na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Há alguns meses, o governador declarava em entrevistas que o governo federal tentava ''manter Minas Gerais sitiada'' e dizia que se recusaria a receber Fernando Henrique em seu Estado.
A mudança na postura de Itamar é mérito do deputado Aécio Neves, candidato do PSDB ao governo mineiro, que conseguiu atrair o apoio do atual governador na disputa eleitoral e tenta reaproximá-lo das lideranças do Palácio do Planalto.
''No minuto em que houve a participação do deputado Aécio, se estabeleceu aquilo que eu diria ser ''uma ponte'', e nessa ponte vamos trafegar no interesse de Minas'', afirmou Itamar.
O governador mineiro, no entanto, descartou a possibilidade de que a ''reaproximação'' com FHC signifique o seu retorno ao barco governista e, consequentemente, um apoio à candidatura de José Serra (PSDB). ''Ele (Aécio Neves) é o meu candidato a governador do Estado. e o meu candidato a presidente da República é Luiz Inácio da Silva'', enfatizou.
O Plano Real, apesar de ter se tornando uma bandeira política do presidente Fernando Henrique Cardoso, foi lançado em 1994, na época que Itamar Franco ocupava a Presidência. Na oportunidade, FHC era ministro da Fazenda.

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