O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), disse ontem estar ‘‘convencido’’ de que o presidente Fernando Henrique Cardoso foi quem determinou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) o espionasse e a três de seus assessores.
Itamar quer agora que FHC encaminhe a ele ‘‘todas as informações ilicitamente obtidas’’ e que o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL), presidente do Congresso, apure a espionagem.
‘‘Quem mandou fazer essa espionagem foi ele, Fernando Henrique Cardoso. Estou convencido disso, face à legislação pertinente’’, disse ele, baseado no fato de a Abin responder diretamente à Presidência da República.
A suposta espionagem foi tornada pública em reportagem da revista ‘‘Veja’’. Com base nela, o governador de Minas, desafeto de FHC, encaminhou ontem ao presidente uma carta na qual classifica o ato como sendo de ‘‘extrema gravidade’’, diz que é um ‘‘risco ao estado de direito’’, que constitui ‘‘violação a direito fundamental’’.
Considerando ainda que o fato envolve diretamente auxiliares de FHC, ‘‘seja na determinação da prática ilícita, seja no acobertamento de seus autores’’, Itamar diz na carta ser ‘‘imprescindível’’ que o presidente lhe envie as informações com relação a ele e aos assessores Alexandre Dupeyrat, Henrique Hargreaves e José Aparecido de Oliveira.
Itamar disse que o símbolo do governo FHC deveria ser um ‘‘feixe de varas’’, tal qual o símbolo criado pelo ditador italiano Benito Mussolini. ‘‘(FHC) É um fascistóide, mas nunca chegaria perto do Mussolini. Não tem a inteligência...’’, afirmou.

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