O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), disse ontem que é uma ‘‘falácia’’ o principal argumento utilizado pelo governo do Paraná de que manter a Companhia Paranaense de Energia (Copel) como estatal representará perda de competitividade com a iniciativa privada em poucos anos. Para ele, essa tese não pode ser levada em conta, frente ao desempenho e lucros que as companhias de energia vêm apresentando. Itamar participou de um debate na Associação Comercial do Paraná (ACP) e defendeu sua posição contra a venda das estatais de energia, inclusive a Copel. O presidente da Companhia de Energia de Minas Gerais (Cemig), Djalma Moraes, que acompanhava o governador, sustentou que Copel e Cemig dificilmente perderão para as empresas privadas. ‘‘A Copel é transparente, técnica e pode se manter no mercado’’, afirmou Moraes.
O presidente da Copel, Ingo Hubert, tem insistido que o governo federal impôs amarras para impedir que as estatais sobrevivam. Entre os entraves estaria a proibição de empréstimos subsidiados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou de atuar no mercado de capitais. Moraes questionou. ‘‘A Cemig tem acesso fácil a crédito, pois atuamos junto com a iniciativa privada que entra como acionista majoritária em nossos investimentos’’, explicou. A Copel adota a mesma política. Ele chegou a conclamar os empresários paranaenses interessados em investir em energia a aplicarem recursos em projetos da Cemig, pois não poderão fazer mais isso com a Copel privatizada.
Em todo seu discurso, o governador mineiro reforçou a tese de que a privatização é um absurdo. ‘‘Privatizar é abdicar do poder de gerar riqueza. É uma balela dizer que o Estado se exauriu e por isso o Banco Central está forçando a privatização’’, criticou Itamar. Ele recebeu apoio de vários empresários e políticos, entre eles o ex-senador José Eduardo Andrade Vieira. ‘‘Considero equivocada a maneira como o governo federal está fazendo a privatização. Ela tinha como objetivo reduzir a dívida externa. Se o objetivo não foi atingido tem de sustar o processo’’, afirmou Andrade Vieira, que foi ex-ministro de Indústria e Comércio quando Itamar Franco era presidente.
O governador mineiro classificou o processo de privatização do governo federal como um ‘‘biombo de negócios escusos e da corrupção’’. De maneira sutil, fez provocações ao governador Jaime Lerner (PFL). ‘‘Se eu fosse homem do Paraná estaria na linha de frente da cruzada contra a venda da Copel.’’ Itamar foi o primeiro a subscrever o abaixo-assinado contra a privatização da Copel.
A intenção do governador mineiro é que se espalhe pelo País um sentimento nacionalista para impedir a venda das companhias de energia. Ele assegurou que em seu Estado a privatização está fora de cogitação. ‘‘Minas Gerais não é obrigada a vender a Cemig, porque seu governador não deixarᒒ, afirmou, sob aplausos dos cerca de 100 participantes do debate.
Itamar aproveitou ainda para ler trechos de um acordo firmado, em março de 1999, entre o governo federal e o Fundo Monetário Internacional (FMI), onde o Brasil se compromete a privatizar seu sistema elétrico. E encerrou seu discurso perguntando: ‘‘Qual o interesse que o governo federal tem com a privatização?’’

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