Pouco depois de a Justiça da Itália negar sua extradição ontem, o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil e condenado no julgamento do mensalão Henrique Pizzolato foi solto e afirmou ter fugido para a Europa para salvar a sua vida.
"Eu não fugi, eu salvei minha vida. Você acha que salvar a vida não vale a pena?", disse, ao deixar a penitenciária de Sant'Anna, na cidade de Módena (norte da Itália), onde estava preso desde fevereiro. O petista possui cidadania italiana, além da brasileira. Indagado se havia sido ameaçado, o petista foi vago: "Ninguém me ameaçou. Eu não preciso de ameaça. Eu sei ler as coisas".
Pizzolato deixou a penitenciária de Sant'Anna por volta das 20h30 (17h30 no horário de Brasília). Vestindo casaco, camisa xadrez e calça jeans, ele carregava suas coisas em três sacolas plásticas e parecia atordoado ao atravessar o portão da penitenciária.
Apesar de poder circular livremente pela Itália, o ex-diretor do BB não poderá deixar o país enquanto não houver uma decisão definitiva sobre o seu destino. O Brasil deve ingressar com recurso na Corte de Cassação (instância mais alta do Judiciário local) para contestar a decisão italiana, que considerou que as prisões brasileiras não oferecem condições humanitárias.
Logo que deixou a prisão e encontrou um grupo de jornalistas a sua espera, o petista ficou em silêncio e ignorou as perguntas. Ele só falou após ouvir pergunta de uma jornalista italiana. "Aqui (na Itália) os juízes não se deixam conduzir pela imprensa, não se deixam conduzir e pela TV. Aqui os juízes seguem as leis, seguem as provas. Não fazem como no Brasil, que escondem os documentos para condenar os inocentes", disse Pizzolato, em italiano.
Logo depois, em português, ele repetiu argumentos de sua defesa de que não houve dinheiro desviado do fundo Visanet - um dos motivos de sua condenação a 12 anos e 7 meses de prisão pelos crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.
Pizzolato se recusou a falar sobre as circunstâncias da fuga do Brasil, em setembro do ano passado, usando documentos italianos emitidos em nome de seu irmão Celso, que morreu em um acidente em 1978. Pizzolato foi preso em fevereiro.

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