Itaipu vê com cautela
a proposta de Lerner
A direção brasileira da Usina Hidrelétrica de Itaipu vê com cautela a antecipação de royalties pretendida pelo governo Lerner. O diretor brasileiro em exercício Altino Ventura Filho disse ontem por telefone à Folha que a binacional ainda não foi contatada pelo governo do Estado.
Sem querer entrar no mérito da estratégia administrativa, o diretor disse que, para viabilizar a antecipação de royalties, o Tratado Brasil-Paraguai teria de ser mexido. Foi neste tratado que se definiu o pagamento dos royalties como uma forma de compensar os alagamentos feitos durante a construção da hidrelétrica.
De 91 até junho deste ano, o Paraná embolsou algo em torno de US$ 350 milhões. Levando-se em conta que tem 23 anos ainda a receber (276 meses), o crédito futuro gira em torno de R$ 1,4 bilhão. O valor estimado pelo governo é menor, por conta dos descontos pelo serviço da dívida já calculados. A parcela mensal de royalties paga ao Paraná é entre R$ 6 milhões e R$ 8 milhões, de acordo com o consumo e produção de energia, informou a Secretaria da Fazenda anteontem. ‘‘Pelo contrato firmado com o governo do Paraguai, antecipações não estão previstas’’.
O diretor brasileiro em exercício de Itaipu salientou a necessidade de um estudo técnico e financeiro aprofundado sobre a questão, classificada por ele como bastante complexa. ‘‘É uma proposta nova que precisa ser muito bem analisada’’. Além de alterar as regras contidas no Tratado Binacional, o governo federal teria de consultar a Eletrobrás e a Ande, paraguaia. A avaliação, feita ontem por especialistas do setor, era de que o governo federal dificilmente atenderia o apelo do Paraná. Até o fechamento desta edição, Gionédis (Fazenda) e José Cid Campêlo Filho (Governo) continuavam com as negociações em Brasília.(L.D)

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