Itaipu sofre novo ataque de revista nacional
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de março de 2006
Equipe da Folha 
Curitiba - Depois de a ''IstoÉ'' publicar uma denúncia de caixa 2 em Itaipu, e a Itaipu rebater, desta vez foi a vez de a revista ''Veja'' publicar uma matéria envolvendo a usina binacional. De acordo com a ''Veja'', a Voith Siemens teve uma dívida perdoada com a usina de maneira ''heterodoxa'' e o diretor-brasileiro de Itaipu, Jorge Samek (PT), teria cobrado propina para perdoar a dívida.
A Itaipu refutou as denúncias através de nota oficial. ''Ao contrário do que diz a 'Veja', não houve qualquer favorecimento ou perdão de dívida milionária de 200 milhões de dólares à Voith Siemens, pois as multas podem atingir o teto máximo previsto no contrato'', afirma a nota.
A matéria da revista afirma que o publicitário Marcos Valério, sabendo que não será protegido pela CPMI dos Correios, estaria disposto a concentrar artilharia no PMDB, aprofundando as denúncias do mensalão, o que pode dar novo fôlego à crise.
Em relação à Itaipu, a matéria cita gravações envolvendo o advogado Roberto Bertholdo, ex-integrante do Conselho de Administração da usina e que atuou como assessor do ex-deputado José Borba (PMDB). Borba, ex-líder do PMDB na Câmara, renunciou ao mandato para escapar do processo de cassação. As gravações, às quais a revista teve acesso, foram feitas pelo ex-sócio de Bertholdo, segundo a ''Veja''.
''O que torna essa gravação perturbadora é o fato de que a Voith Siemens, de fato, tinha um negócio de quase 200 milhões de dólares com Itaipu e que, de fato, uma dívida sua com a estatal foi perdoada de um modo heterodoxo. Em 2000, a Voith Siemens comprometeu-se a entregar duas novas turbinas para Itaipu, num negócio de 184,6 milhões de dólares, mas não conseguiu cumprir o prazo'', diz a revista.
Ainda segundo a ''Veja'', a empresa sofreu uma multa de 2,6 milhões de dólares, que foi paga, mas também deveria sofrer outra multa, de 18,6 milhões de dólares. Essa continua a revista foi perdoada e o prazo de entrega das turbinas prorrogado.
Campanha - Dentro da Itaipu, o aparecimento de denúncias neste momento é visto como parte do jogo da campanha eleitoral, com o objetivo de atingir o PT.
''A revista 'Veja' comete crime contra a honra do diretor-geral brasileiro, Jorge Samek, e atentado à imagem de Itaipu, maior hidrelétrica do mundo em produção de energia. Para restabelecer a verdade dos fatos, o diretor-geral brasileiro de Itaipu informa que coloca à disposição seus sigilos bancário e telefônico, assim como todas as atas do Comitê Gestor das unidades geradoras, da diretoria e do Conselho de Administração onde o assunto das multas foi tratado'', continua a nota. A Itaipu adianta que vai buscar, na Justiça, reparação pelos danos causados à sua imagem.
Segundo a nota enviada pela usina, o contrato de construção das duas últimas unidades geradoras, assinado em 13 de novembro de 2000, é no valor total de US$ 184,6 milhões. As obras estão a cargo do consórcio Ceitaipu, formado por 16 empresas, lideradas pela francesa Alston Power.
A multa máxima por atraso no cronograma de entrega das obras é de 10% do valor total do contrato (US$ 18,4 milhões). A Itaipu confirmou que já aplicou ao consórcio Ceitaipu US$ 2,6 milhões por atraso nos marcos intermediários das obras. Com o problema verificado no final de 2003 (trinca nas duas cruzetas inferiores das duas unidades geradoras), o consórcio Ceitaipu propôs consertar as peças danificadas (solda das trincas). Com base na análise de seus técnicos, Itaipu exigiu que as duas peças fossem refeitas e substituídas de forma integral, para garantir a qualidade técnica e o pleno funcionamento das duas novas máquinas.
Por isso, de acordo com a usina, o prazo final foi renegociado de forma a permitir a desmontagem, importação das chapas, fabricação, transporte e a nova montagem das cruzetas inferiores, porém mantida a multa incorrida até então.


