O professor Itaicy Mendonça, chefe de gabinete do reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Jackson Proença Testa, admitiu ontem que ‘‘encaminhava a negociação’’ da publicidade da instituição aos veículos de comunicação. ‘‘Todos os meios de comunicação, no seu setor comercial, procuram a UEL para oferecer propostas de divulgação, promoções e parcerias. Isso é uma coisa natural que aconteça dentro de uma instituição. Nós apenas encaminhamos a negociação’’, relatou Itaicy, que ontem foi ouvido pelo delegado Carlos Marcelo Sakuma, do 3º Distrito Policial de Londrina. No dia 24 de maio, o reitor Testa declarou que Itaicy não tinha autonomia para pagar ou receber verbas publicitárias – o que seria atribuição da Coordenadoria de Assuntos Financeiros (CAF). Testa havia dito que, em 97 e 98, as decisões sobre investimentos em mídia eram determinadas pela agência Mercer, de Curitiba.
Na semana passada, em depoimento prestado ao Ministério Público (MP) de Maringá, o apresentador de TV Márcio Mello acusou Itaicy de ter recebido, no início de 1997, R$ 8 mil do ex-deputado Benedito Pinga-Fogo de Oliveira, dono da Rádio Nova Ingá. O valor seria a devolução de parte de um contrato de publicidade superfaturado firmado entre a UEL e a emissora de Maringá para fazer publicidade do vestibular. Um dia após a divulgação da denúncia, o chefe de gabinete pediu afastamento temporário do cargo.
O depoimento ao delegado Sakuma faz parte de um inquérito que apura o furto de três computadores e cinco impressoras do prédio da reitoria, na madrugada de domingo, poucos dias após a denúncia de Mello. Um dos computadores levados era do próprio chefe de gabinete.
Apesar de admitir que participava do ‘‘encaminhamento’’ de publicidade, Itaicy negou que conhecesse Mello ou tivesse mantido qualquer contato com o apresentador de TV. ‘‘Eu vou me pronunciar quando estiverem concluídos os processos, mas posso adiantar que a denúncia é inverídica. Eu tenho a minha consciência tranquila e pretendo processar todos que denegriram a minha imagem’’, afirmou.
Sobre o computador furtado, o chefe de gabinete afirmou que em seu equipamento ‘‘não havia dados que comprovassem despesas de publicidade’’. Itaicy disse ainda que soube do arrombamento através de um funcionário da UEL, mas não se dirigiu ao local porque está afastado do cargo.
Após o depoimento, o delegado Sakuma informou que vai continuar com as diligências para tentar identificar o veículo e a pessoa que foram vistos nas proximidades da reitoria na madrugada de domingo.
Já o ex-deputado federal Pinga-Fogo não se apresentou ontem à comissão de sindicância instalada na UEL para apurar as denúncias de superfaturamento. Pinga-Fogo deveria prestar depoimento, mas encaminhou ao presidente da comissão, Anísio Ribas Bueno Neto, um comunicado informando que ‘‘não pretende se deslocar até Londrina para prestar esclarecimentos à comissão, pois não cometeu nenhum delito e também por absoluta falta de tempo’’. O ex-deputado se colocou à disposição para esclarecimentos em Maringá. Ribas disse que irá tentar entrar em contato com Pinga-Fogo para agendar outro dia para o depoimento. A comissão tem até o dia 7 para concluir os trabalhos.

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