IstoÉ publica direito de resposta
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de outubro de 2006
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Revista IstoÉ dessa semana traz o direito de resposta do senador Osmar Dias (PDT) contra a matéria publicada no dia 13 de setembro sob o título Um problema chamado Lagoa da Prata. A matéria trazia informações de que a propriedade com 8.335,92 hectares teria sido comprada oficialmente por R$ 2,5 milhões. Entretanto, valeria R$ 16 milhões. Além de supostamente cometer crime de sonegação de impostos, a matéria dizia que a fazenda teria sofrido desmatamento e que muitos funcionários eram submetidos a trabalho escravo. Todos os pontos nebulosos da matéria foram comentados no direito de resposta publicado nas páginas 48 e 49 da revista que apenas concedeu o espaço após determinação do Tribunal Eleitoral do Paraná.
Osmar inicia o direito de resposta comentando que a matéria surgiu do atual governador Roberto Requião (oponente de Osmar nas eleições deste ano). A compra da fazenda, segundo Osmar, foi declarada na Receita Federal e está registrada na Escritura Pública Definitiva de Compra e Venda no Cartório de Registro Geral de Imóveis da Comarca de Formoso do Araguaia, no Tocantins. Como pode então uma fazenda ganhar fama de ter sido comprada por valor subfaturado se todas as certidões e instituições legais a quem a compra foi submetida não comprovam qualquer irregularidade na compra da fazenda, questiona Osmar.
O senador negou que tenha ocorrido qualquer desmatamento irregular. Ele cita como provas a certidão emitida pelo Instituto Natureza do Tocantins (órgão de fiscalização e licenciamento ambiental do Tocantins) e pelo Certificado de Regularidade do Ministério do Meio Ambiente. Osmar relatou que em julho de 2004 obteve autorização legal para desmatamento de 65% da área. Entretanto, apenas 50% da área total deria sido desmatada.
Osmar Dias negou que tenha admitido trabalho escravo na fazenda. Ele apresentou certidão engativa da Justiça do Trabalho e relatou que contratou uma empresa terceirizada, de propriedade de Leonardo Bonifácio, para executar trabalhos na fazenda. Teria descoberto que Bonifácio mantinha empregados sem o devido pagamento de salários e teria rompido judicialmente o contrato com a empresa terceirizada. A ação foi protocolada no dia 21 de fevereiro de 2006.
O dinheiro para a compra da fazenda teria vindo da venda de uma outra fazenda em Céu Azul (PR), dois apartamentos, três safras de soja e de um empréstimo feito pelo pai. Ele relatou que é filho de uma família de agricultores bem-sucedidos. Atualmente, ele teria na fazenda oito empregados que receberiam salários acima da média na região, alimentação e moradia (com seguros de vida e contra acidentes).
Requião usou os dados da revista IstoÉ para pedir na mesa do Senado Federal a cassação do mandato de Osmar por quebra de decoro parlamentar. Ele pediu que fossem quebrados os sigilos bancário e fiscal do pedetista e de todos os envolvidos na compra da propriedade. Osmar acusou Requião de estar tentando armar um Ferreirinha em sua campanha (se referindo a campanha de Requião e José Carlos Martinez ao governo do Estado em 1990).
Osmar Dias também entrou com uma ação contra Requião no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por calúnia, difamação e injúria. O STJ terá que consultar a Assembléia Legislativa e o Ministério Público (MP) federal antes de notificar Requião.


