Ramallah - O Exército de Israel invadiu ontem Ramallah e cercou a sede do Governo, onde está o presidente palestino Yasser Arafat, no dia em que o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, se reuniu em Washington com o presidente dos EUA, George W. Bush. Mais de 60 tanques, tropas, pára-quedistas e forças especiais israelenses, apoiados por helicópteros ‘‘Apache’’, entraram na madrugada de ontem na cidade cisjordaniana que foi declarada área militar fechada, e no campo de refugiados de Al-Amari, onde os soldados revistaram casa por casa em busca de supostos ativistas palestinos.
A Mukata (sede do governo palestino) está isolada por trincheiras cavadas pelas tropas israelenses e cercada por tanques estacionados em seus acessos ‘‘para evitar a entrada de milicianos armados no local’’, disseram fontes do Exército israelense.
Os palestinos garantiram que as Forças Armadas israelenses estão demolindo os poucos edifícios da Mukata que ficaram de pé, enquanto o Exército nega a ação.
As tropas israelenses entraram em uma delegacia de polícia na cidade e prenderam trinta agentes.
O novo Governo palestino anunciado domingo pelo presidente Yasser Arafat não pôde se reunir ontem como estava previsto, por causa do estado de sítio imposto pelo Exército israelense.
A operação militar em Ramallah acontece no momento em que Arafat mostra sinais de concordar com as pressões internacionais com as reformas políticas de seu Governo e a detenção, domingo à noite em Gaza, de um líder da Jihad Islâmica, Abdala Shami, ligado ao atentado suicida da quinta-feira passada que matou 17 pessoas.
O ministro palestino de Governação Local, Saeb Erekat, declarou à EFE que a invasão militar de Ramallah, que qualificou de ‘‘muito grave e põe em risco a vida do presidente palestino’’, é a ‘‘carta que Sharon dirige a Arafat na qual rejeita as reformas de seu Governo e os esforços palestinos para voltar às negociações’’.
Erekat, homem forte do Governo palestino e que domingo foi mantido em seu cargo, disse que o primeiro-ministro israelense ‘‘está ignorando os esforços da ANP e confirma sua intenção de nos destruir’’.
Para a ANP a invasão de Ramallah, ‘‘é um convite ao extremismo’’.

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