JerusalémO chefe do estado-maior israelense, general Shaul Mofaz, afirmou ontem que a ofensiva israelense na Cisjordânia vai durar ‘‘pelo menos três semanas’’ a mais para conseguir seus objetivos.
‘‘Necessitaremos de pelo menos quatro semanas desde o início da operação (29 de março) e seria preferível dispor de mais quatro para uma segunda fase’’, disse ele no final de uma reunião da comissão de relações exteriores e defesa do parlamento.
Mofaz não precisou em que consistiria a segunda fase da operação Muralha. Apenas indicou aos jornalistas que quando terminar a ofensiva ‘‘o exército se retirará de formas diversas’’, o que implica que manterá posições em zona autônoma palestina.
‘‘O certo é que alcançamos um ponto sem retorno e não voltaremos à situação que prevalecia antes da operação’’, frisou referindo-se à onda de atentados que assolou Israel em março passado.
O primeiro-ministro Ariel Sharon respondeu aos apelos do presidente norte-americano George W. Bush prometendo fazer todo o possível para encerrar ‘‘rapidamente’’ a ofensiva militar israelense, mas na prática parece decidido a fazer durar as operações o máximo de tempo possível. Nos últimos dois dias o exército israelense até intensificou suas operações na Cisjordânia e fez novas incursões nas localidades autônomas palestinas.
‘‘Israel chegou a uma situação irreversível, já que Arafat e a Autoridade Palestina não têm a menor intenção de respeitar nenhum acordo’’, declarou Sharon ontem, para justificar o prosseguimento da ofensiva.
‘‘Temos a experiência do passado, quando o trabalho só era feito pela metade’’, declarou sábado Dany Ayalon, conselheiro diplomático de Ariel Sharon, referindo-se às anteriores incursões militares na Cisjordânia.
Ontem a conselheira de segurança nacional americana, Condoleezza Rice, afirmou que o começo da retirada das tropas israelenses dos territórios palestinos ‘‘deve começar sem demora, agora e não amanh㒒. E acrescentou: ‘‘Compreendemos que uma operação militar desta dimensão não pode parar imediatamente’’.
No entanto, Rice esclareceu que o início da retirada israelense não deveria ser adiada até a chegada à região do secretário de estado americano, Colin Powell. Ele partiu ontem à noite de Washington rumo a Marrocos, Europa e Oriente Médio.

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