Jerusalém - O gabinete de segurança israelense manteve ontem seu veto à missão da ONU encarregada de investigar o que aconteceu realmente no acampamento de refugiados palestinos em Jenin, na Cisjordânia, anunciou a presidência do Conselho num comunicado. O ministro israelense das Relações Exteriores, Shimon Peres, admitiu na rádio pública que esta decisão põe Israel numa situação que não é muito simples. ‘‘Israel apresentou condições cruciais a fim de que a missão possa esclarecer honestamente (o que aconteceu no acampamento), mas, se estas exigências não forem cumpridas, não é possível começar o trabalho da missão’’, afirmou um comunicado oficial da presidência do Conselho.
Os palestinos acusam o Exército israelense, que fechou o acampamento de refugiados aos auxílios e à imprensa durante sua ocupação, de ter realizado ‘‘crimes de guerra’’ e um ‘‘massacre’’.
AnnanO secretário-geral da ONU ‘‘tem a intenção de dissolver’’ a equipe destinada a esclarecer os fatos ocorridos no campo de refugiados palestinos de Jenín, disse ontem um alto funcionário da ONU. O subsecretário-geral para Assuntos Políticos, Kieran Prendergast, disse que depois do ‘‘pronunciamento do gabinete de Israel, as dificuldades no caminho da instalação dessa equipe de verificação não serão resolvidas’’ e, portanto, o ‘‘secretário-geral pensa em dissolver a equipe e já informou o Conselho’’.
DesmentidoO presidente da Câmara Legislativa palestina, Ahmed Qurea (Abu Alá), negou ontem que exista relação entre a reconsideração de Israel sobre a autorização da chegada da ‘‘Comissão Jenin’’ da ONU e a suspensão do cerco imposto a Yasser Arafat em seus escritórios de Ramallah. ‘‘A razão do retrocesso (da chegada da comissão) para investigar o massacre de Jenin é que Israel pretende impor suas condições à missão da ONU’’, esclareceu Abu Alá.

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