Jerusalém - Os planos finais do Ministério da Defesa de Israel para levantar uma cerca ou muro de segurança ao longo da Cisjordânia serão analisados hoje, ao começar a semana de trabalho em Israel, pelo Conselho de Ministros de Ariel Sharon.
As obras despertam uma forte resistência entre os ministros da direita nacionalista e também entre os palestinos, que vêem nessa cerca diversos significados políticos.
O debate, que promete ser forte, acontecerá depois de três ataques palestinos nos quais morreram essa semana 30 civis e um agente de segurança israelenses, dois deles cometidos por suicidas em Jerusalém e o terceiro no assentamento judeu de Itamar na Cisjordânia, ao sudeste da cidade de Nablus.
É um muro que em vários pedaços, dos mais ou menos 350 quilômetros – o sinuoso limite ou ‘‘linha verde’’ entre Israel e a Cisjordânia –, contará com uma cerca capaz de detectar a infiltração de pessoas neste país por meio de sensores eletrônicos, e similar ao existente na fronteira com o Líbano.
Por sua vez, os palestinos vêem nesse muro, que exigirá a expropriação de terras palestinas para ser construído, ‘‘a imposição de uma fronteira’’ e uma ‘‘divisão de caráter racista’’ que pode criar um obstáculo para a entrada em Israel de milhares de operários da Cisjordânia.
Os que aprovam o ‘‘muro de segurança’’ para ‘‘impedir a entrada de terroristas e suicidas palestinos’’ vêem nela também o esboço de uma fronteira com um futuro Estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, ao que Sharon e seus aliados de direita se opõem por enquanto.
O principal defensor do muro no Governo israelense é o ministro da Defesa, brigadeiro-general na reserva Benjamín Ben Eliezer, líder do Partido Trabalhista, que prevê a criação de um Estado palestino na Cisjordânia e Gaza em sua plataforma eleitoral.
O muro, que também terá postos de controle militar e atalaias, como a que cerca a Faixa de Gaza, ‘‘é parte da solução contra o terrorismo’’, disse ontem o general Yarón à rádio pública, nas vésperas do debate.
O funcionário do Ministério da Defesa informou que as atuais operações de Israel em cidades palestinas da Cisjordânia continuarão, ‘‘se for necessário, até que se termine de levantar o muro’’, o que pode demorar mais de um ano, segundo os especialistas.
Detenções Militares do Exército israelense prenderam ontem o secretário do movimento Al Fatah na Cisjordânia, Mohamed Lutfi,‘‘Abu Lutfi’’, no povoado de Betunia, junto a cidade de Ramala, disseram fontes palestinas.
As fontes não indicaram em que circunstâncias foi detido Lutfi, que também é diretor do Ministério do Interior da Autoridade Nacional Palestina (ANP).
Fontes militares israelenses também informaram ontem à tarde da detenção de quatro palestinos procurados pelos organismos de segurança de Israel ao norte de Ramala e no distrito de Jenin. A rádio israelense informou ainda que foi detido ontem um colono dos assentamentos judeus do distrito cisjordaniano de Nablus, de 27 anos, não identificado.

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