Isolamento de Richa
Beto Richa está pagando pela falta de liderança e pela dispersão de um capital político raro com a eleição e reeleição em primeiro turno para prefeito da capital e governador. Sofre um isolamento a revelar que não soube se impor aos supostamente liderados e sequer valorizou o partido em termos locais e nacionais. É esnobado de uma forma caricata por aqueles a quem ajudou e serviu.

E como isso se dá em meio a denúncias a impressão que fica é a de que convém dele afastar-se para evitar o contágio. O pior é que se fica no governo dá para perceber que a badalação seria normal e agora se bate para refazer alianças e o status quo que desprezou.

Dá a impressão, a cada novo incidente criminal, que seus aliados de ontem parecem celebrar essas notícias como vitória pessoal. Se há hoje, em função da Lava Jato, a impressão de que toda a classe política, sem exceção, é ligada a fraude, no episódio específico do Paraná capta-se, sobretudo, a inexistência de caráter.

Em que pese a circunstância atual, Beto Richa poderia valer-se do bom momento que vive Geraldo Alckmin como postulante presidencial do seu partido para assumir regionalmente a sua campanha, a qual sempre esteve ligado, até para tentar neutralizar Alvaro Dias que pode, isso é perfeitamente possível, liderar as intenções de votos na praça. Um papel nacional, ainda que limitado, o ajudaria a sair do atual isolamento interno.

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O Tribunal Regional Eleitoral obrigou o governo estadual a retirar do ar institucionais tanto de estatais como de secretarias por entendê-las como desequilibradoras do processo em relação a outros partidos e candidatos. A decisão é liminar, sujeita a recurso, mas o entendimento do juiz Ricardo Augusto Reis de Macedo encara as peças como irregulares e afrontosas e que não se enquadrariam nos objetivos de esclarecimento à população. Está aí algo que nunca se deu em campanhas anteriores.

Viadutos
Há uma briga ideológica em Curitiba entre urbanistas em torno de viadutos e passagens subterrâneas. Órgãos como o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba, Ippuc, se fixam, como doutrina, na predominância do desenvolvimento linear e atribui-se a Jaime Lerner a sentença condenatória dos viadutos como intervalo do próximo engarrafamento e geradores de aridez ambiental (a referência aí é a do Minhocão paulista). Agora com os problemas do derradeiro viaduto da cidade, o da rodovia deputado João Leopoldo Jacomel, por suas deficiências, especialmente de acesso, provocando acidentes em série, restabelece-se o debate. As condições de tráfego na área são péssimas, inclusive no que diz respeito à iluminação precaríssima e insuficiente sinalização. É "a curva da Santa" da cidade em comparação com a sinistrose da estrada de Santa Catarina.

Separação
O afastamento, que já não pode ser dissimulado, entre Beto Richa e a família Ricardo Barros é o mais traumático fator da política paranaense no momento. Fica afinal demonstrado que a caneta na mão é equipamento pesado e a sutileza até aqui é a permanência de Fernanda Richa no secretariado. Uma certa contenção diplomática está aí traduzida. Como Fernanda não quer sair, o ato seguinte fica por conta da governadora.

Repique
Além do "controle social" da mídia, o PT, em seu programa de governo, tem outra obsessão: limitar a atuação do Supremo Tribunal Federal ao papel de corte constitucional e revisão das leis de combate à corrupção e ao crime organizado que o atingiram em cheio e determinaram a prisão do seu maior líder, o ex-presidente Lula. A bronca maior é contra as delações premiadas e isso antes de conhecermos em detalhes a do Antonio Palocci, que pelo jeito vem quentíssima. Curiosidade é que essa lei é da Dilma Rousseff, como a da Ficha Limpa é do Lula.

Um vice, por favor
De repente o problema maior é o vice e isso se dá com todos os candidatos, tanto na eleição nacional como nas regionais. No caso de Alckmin, os partidos que integram o centrão têm poder de veto, o que exigirá cautelas na designação. O vice normalmente é solução geopolítica e isso desde aquela chapa de 1950, Getúlio Vargas-Café Filho, cuja identificação foi posta à prova com o suicídio do presidente e gerou uma reversão só contida pelo Exército, tida como golpe democrático, tal qual se dá com todas as quarteladas a nosso favor desde a instauração da República. Bolsonaro precisa de vice, como também Ciro Gomes, e aqui no Paraná tanto Ratinho Júnior como Osmar Dias e Cida Borghetti. Um vice, por favor, que servisse, trocadilho sábio e pedagógico.

Folclore
Para se ter uma ideia das nossas dimensões basta constatar que o Facebook perdeu, em apenas um dia, o equivalente à Petrobras e ao Bradesco. São US$ 120 bi, a maior perda diária de uma companhia, em valor de mercado, na história de Wall Street. Na tragédia dos outros temos noção mais precisa das nossas dimensões.

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