Curitiba - Cerca de 2 milhões de pessoas em Curitiba usam diariamente o transporte coletivo. Destas, apenas 1,1 milhão pagam tarifa (por causa das isenções e da integração do transporte coletivo). Para o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), a desoneração de impostos não é a ''tábua de salvação, mas é indispensável para que os brasileiros possam ter uma tarifa mais social, mais justa''. Dados apresentados por ele ontem demonstram que 35% dos brasileiros se deslocam a pé para o trabalho por conta do valor da tarifa. Famílias com renda de até cinco salários mínimos gastariam cerca de 22% do que recebem com transporte coletivo e 16% com alimentação.
''Acho que o transporte é um direito básico e que o governo federal tem que ter interesse em auxiliar para que a população seja beneficiada'', analisou Beto. A carta de Curitiba, redigida no encontro, pede que não apenas desoneração de impostos nacionais. Pede ainda desoneração de impostos estaduais, como pagamento de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Além do imposto sobre combustíveis, os prefeitos querem a desoneração do valor de medicamentos, de aquisição de bens e serviços básicos do Sistema Único de Saúde (SUS), de merenda escolar e de serviços de assistência social (para creches e asilos).
O ex-ministro da Saúde e prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), disse que a questão do transporte é vital. ''Os prefeitos do PT estão de acordo conosco, o que fortalece nosso movimento'', ponderou. Ele falou sobre a alternativa do uso do gás no transporte coletivo para baratear custos e acabar com a poluição por gás carbônico. E enfatizou a desoneração de serviços de saúde. ''Os estados não pagam ICMS sobre os medicamentos que compram. Mas os municípios são obrigados a pagar. Existe uma desigualdade e uma injustiça entre estados e municípios. Queremos ter os mesmos direitos'', declarou. (L.P.)

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