Curitiba - Mais de 6,4 mil veículos passaram sem pagar pelas 27 praças de pedágio do Paraná ontem, no primeiro dia de vigência da lei que isenta do recolhimento da taxa os moradores das cidades onde estão instalados os postos de cobrança. As seis empresas que exploram rodovias no Estado cumpriram a nova determinação e poucos problemas foram registrados. As empresas agora aguardam uma decisão da Justiça em ação que tenta anular a validade da lei.
A lei estadual 15.607 começou a valer a partir da zero hora de ontem. A regional paranaense da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR-PR), informou que, até às 17 horas, 6.460 veículos haviam passado sem pagar pelas 27 praças. Para verificar se a lei estava sendo aplicada, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) distribuiu 44 fiscais pelas praças.
Segundo a ABCR-PR, apenas alguns ''transtornos'' aos motoristas teriam ocorrido na praça de Cascavel da concessionária Rodovias das Cataratas. Isso porque, no início do dia, funcionários da empresa estariam solicitando comprovantes de residência aos motoristas. A situação foi corrigida rapidamente, já que o texto que regulamentou a lei afirma que, para ter direito ao benefício, basta o veículo ter placas das cidades onde estão as praças.
Em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, onde está instalada a única praça da Ecovia na BR-277, que liga a Capital ao Litoral, o movimento foi tranquilo. A concessionária destinou dois guichês (um em cada sentido) preferencialmente para a passagem dos veículos isentos. Placas e letreiros eletrônicos informavam aos motoristas quais eram as cabines. Para passar sem pagar, bastava apresentar o documento do veículo.
Como não poderia deixar de ser, a lei agradou os motoristas. ''Não gastar sempre é bom'', afirmou o caminhoneiro Antenor Pinto, 51 anos. Ele, no entanto, teve que aguardar cerca de 10 minutos para passar pelo pedágio, já que a cabine de seu caminhão tem placas de São José, mas a carreta é de Colombo. No fim, acabou tendo que pagar a tarifa referente à carreta.
Outro caminhoneiro, Gilmar Hipólito de Oliveira, 35 anos, também comemorou a isenção. ''O patrão fica feliz.'' Carregando botijões de gás, Oliveira faz duas viagens semanais de São José a Paranaguá, desembolsando R$ 88 por vez.
A vigência da nova lei também estimulou pessoas que, a princípio, não viajariam ontem. É o caso de Milton Alves de Moraes, 45 anos. ''Trabalho com construção civil e tenho serviços no Litoral. Mas não ia muito para lá por causa do preço do pedágio. Hoje, já vim mais sossegado'', disse. Com a isenção, Moraes economizou R$ 21,80.
Apesar de comemorarem a lei, os motoristas se mostraram desconfiados com o tempo que ela pode vigorar. Isso porque as concesionárias já entraram com um mandado de segurança tentando anular os efeitos da lei. ''Isso vai dar zebra'', comentou Antenor Pinto. ''Vai ser uma briga, ninguém vai querer perder e alguém vai ter que pagar no fim'', acrescentou Gilmar Oliveira. O mérito da ação das empresas será analisada pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça. O desembargador Paulo Roberto Hapner será o relator do processo.

mockup