Irritado, presidente não comenta envolvimento de Vavá
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quinta-feira, 07 de junho de 2007
Denise Chrispim Marin<br>e Jamil Chade,<br>enviados especiais Agência Estado 
Berlim - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) preferiu se esquivar e reagiu com certa irritação, ontem, ao ser indagado sobre as novas revelações da Polícia Federal sobre o envolvimento de seu irmão mais velho, Genival Lula da Silva, o Vavá, em tráfico de influência e sua vinculação com empresários do jogo investigados na Operação Xeque-Mate.
''Não acho justo, depois de uma reunião com cinco países importantes para tratar de um assunto dessa magnitude, você me perguntar uma coisa que eu poderia falar com você na segunda-feira, em São Paulo, na terça-feira em Brasília, na quinta-feira no Rio de Janeiro, aonde você quiser perguntar'', rebateu a uma pergunta sobre o assunto.
''Eu, hoje e amanhã, quero falar exatamente do G-5 e do G-8. Na segunda-feira, você pode me perguntar o que você quiser da política interna que lhe responderei de peito aberto e de coração muito aberto'', completou.
Depois de sua enfática declaração em Nova Délhi, no último dia 5, de que não acreditava nas suspeitas que recaíam sobre Vavá, o presidente esquivou-se da imprensa anteontem (6) e preferiu escapar da abordagem direta. Seguiu, portanto, a estratégia montada pelo Palácio do Planalto, que tenta preservá-lo das denúncias que envolvem seu irmão.
A pergunta sobre Vavá havia sido acertada, em comum acordo, pelos jornalistas brasileiros. Girou em torno de uma posição do presidente sobre as novas denúncias publicadas ontem pelos principais jornais brasileiros. A primeira, que a PF conta com gravações nas quais Vavá cobra cifras de R$ 2.000 a R$ 3.000 do empresário do jogo Nilton Servo. Em troca, prometia conseguir benefícios para Servo - preso na Operação Xeque-Mate - em órgãos públicos federais. A segunda, de que o empresário espalhava a versão de que era amigo do presidente da República, conforme investigação da PF.
O secretário de Comunicação, Franklin Martins, mostrou-se visivelmente contrariado ao ouvir a pergunta e manteve sua cabeça baixa enquanto Lula a respondia. Horas antes, na porta da Embaixada do Brasil em Berlim, onde Lula estava hospedado, Martins havia reagido ao interesse dos jornalistas em obter informações sobre o caso, sob o argumento de que a denúncia contra Vavá ''está morrendo por inanição''. Ou seja, por falta de fatos novos expressivos.
Jornalista experiente, Franklin Martins criticou a imprensa por não fazer uma investigação paralela à da PF e por aceitar o material fornecido por suas fontes, sem questionamento nem averiguação.


