Irritado, Benito Gama entrega o cargo
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terça-feira, 03 de junho de 1997
Agência Estado, de Brasília 
Agência Estado
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ExcluídoBenito Gama: deputado diz que está avaliando o gesto do partido que, segundo ele, foi indelicadoO que parecia ser uma pacífica alternância de poder entre aliados, com vistas a fortalecer o Palácio do Planalto, terminou quase em dissidência: irritado por não ter sido previamente avisado pelo governo sobre sua substituição, o deputado Benito Gama (PFL-BA) atravessou ontem de manhã a Praça dos Três Poderes até o gabinete do presidente Fernando Henrique Cardoso e devolveu-lhe o cargo de líder do governo na Câmara, antes mesmo que o colega de partido e bancada, Luís Eduardo Magalhães, assumisse o cargo. Ao voltar ao Congresso, Benito avisou que não tinha mais responsabilidade sobre as votações marcadas para a tarde e ameaçou até deixar o PFL.
Estou avaliando o gesto do partido, afirmou Benito, referindo-se ao fato de ter sido informado pela imprensa sobre a decisão do governo de retirá-lo da liderança. Isso foi no mínimo indelicado, reclamou. O deputado criticou também o líder de seu partido, Inocêncio Oliveira (PE), por não ter conversado com ele sobre o convite feito a Luís Eduardo. Estranho essa atitude, porque o Inocêncio sempre foi correto comigo, completou.
Enquanto Benito Gama se dirigia, no final da manhã, ao Palácio do Planalto, Inocêncio e Luís Eduardo se reuniam com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), para discutir o convite feito a ele por Fernando Henrique. Pouco antes, no Salão Verde da Câmara, Inocêncio havia feito um apelo público a Luís Eduardo para que assumisse ontem a liderança. Luís Eduardo respondeu que não poderia fazer isso antes de conversar com os líderes aliados. Com Benito Gama, Luís Eduardo falou somente por telefone, por duas vezes.
Benito disse que deixava a liderança sentindo-se vitorioso, transparente e digno. Segundo o ex-líder, o problema político do governo não está na liderança da Câmara e nem no Congresso. Esse problema, insinuou, estaria na relação entre partidos da base e a articulação política nos ministérios, em uma referência indireta ao ministro das Comunicações, Sérgio Motta, que costumava negociar com o Congresso na hora das votações importantes para o governo. Nenhum líder teria feito melhor do que eu, defendeu-se.
Com a decisão de Benito Gama de abandonar a liderança do governo, o deputado Elton Rohnelt (PFL-RR) assumiu o cargo interinamente. Ele previu que e as votações serão temporariamente suspensas por causa das mudanças promovidas no comando político. A tendência é de não se votar nada hoje (ontem), disse. Rohnelt responderá pela liderança enquanto Luís Eduardo não anunciar oficialmente se aceita o convite para assumir o cargo.


