Quito - A presidente Dilma Rousseff disse ontem que não há provas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na 22ª fase da Operação Lava Jato e criticou as "insinuações" contidas nos vazamentos da investigação. Dilma ficou irritada quando foi questionada se a Lava Jato estava se aproximando de Lula e disse que, "ao contrário do mundo medieval", o ônus da prova cabe a quem acusa.
Ao ser questionada se o ex-presidente seria o alvo da Polícia Federal, Dilma fechou o semblante. "Eu me recuso a responder pergunta desse tipo porque se levantam acusações, insinuações e não me dizem por que, quando, como, onde e a troco do quê", disse ela em Quito, logo após discursar em um retiro com chefes de Estado e de governo que participam da 4ª Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).
Dilma disse achar "extremante incorreto" esse tipo de vazamento das investigações e citou até os ideais da Revolução Francesa para dizer que o ônus da prova cabe a quem acusa. "Se alguém falasse a respeito de qualquer um de nós aqui, que a nova fase da Lava Jato levanta suspeitas sobre você, e você não soubesse do que é suspeita, como é que é suspeita e de onde vem a suspeita, você não acharia extremamente incorreto, do ponto de vista do respeito?", perguntou ela. "Quem prova - acho que foi a partir da Revolução Francesa, se não me engano, foi com Napoleão - a culpabilidade, ao contrário do mundo medieval, o ônus da prova é de quem acusa."
Para a presidente, o inquérito e as investigações existem para apurar os fatos, e não para vazar informações ainda sob análise. A reportagem perguntou a Dilma se a Lava Jato atrapalhava a economia. "Não, querida, eu não vou responder. Sinto muito. O FMI acha. Eu acho que vocês devem perguntar ao FMI", respondeu a presidente, numa referência ao relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), que apontou a duração da instabilidade política e a continuidade das investigações da Lava Jato como causas da crise econômica brasileira.

LULA
Lula reproduziu ontem nas redes sociais o trecho de uma entrevista na qual disse que gosta de ser provocado: "Você sabe que eu gosto de ser provocado. Nas pesquisas todas, embora o PT tenha caído de prestígio na sociedade, nenhum deles [os outros partidos] ganhou. As pessoas estão esperando um gesto do PT". Segundo colaboradores do petista, o ex-presidente promete se defender. (Vera Rosa/Agência Estado)

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