Brasília - As declarações irônicas dadas pelo ministro Carlos Lupi (Trabalho) pesaram na decisão da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, que recomendou anteontem à presidente Dilma Rousseff que exonere o ministro.
A conselheira-relatora do caso, Marília Muricy, afirmou que a postura pública de Lupi foi ''excessiva''. Ela foi citada em seu relatório como um dos fatores para a aplicação de advertência ética e para a decisão de recomendar a exoneração de Lupi.
''O comportamento público do ministro foi de uma postura excessiva e incompatível com o cargo'', afirmou a relatora, após sair de um seminário sobre ética, em Brasília. Ela fazia referência a declarações dadas pelo ministro ao longo da crise, como a de que não cairia porque era ''pesadão'' e que só deixaria a pasta se fosse ''abatido a bala''. Até a declaração de amor feita por Lupi à presidente foi considerada inapropriada pela relatoria.
Segundo o conselheiro Roberto Caldas, que também participou do seminário, a decisão da comissão envolveu um conjunto de fatores. Apesar da unanimidade na decisão pela recomendação da exoneração, não houve consenso absoluto sobre os fundamentos da decisão.
Entre os pontos que resultaram na inédita decisão da comissão, estão, além das declarações públicas, os convênios firmados pela pasta com entidades ligadas ao PDT e, apesar de não estar no processo, a revelação, feita pela Folha de S.Paulo, de que Lupi foi assessor-fantasma da Câmara dos Deputados por cinco anos.
Ontem, o jornal mostrou que o ministro acumulou o salário da Câmara com o cargo de assessor de um vereador no Rio, o que é ilegal. Marília Muricy afirmou que as respostas do ministro a questões formuladas pela comissão foram ''insatisfatórias''. Anteontem, o presidente da comissão de ética, Sepúlveda Pertence, disse que as respostas foram ''inconvenientes''. Ontem, questionado a respeito, se recusou a entrar em detalhes.
''Quando essas informações vêm a público, isso forma convicções'', disse Caldas. ''Todo julgador é um sujeito impregnado de valores.''
Para o conselheiro, o caso Lupi ganhou simbolismo com a decisão da comissão.
''Há casos que se tornam simbólicos. Esse parece ser um'', disse.

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