Brasília - Leon Vargas, irmão do ex-deputado André Vargas, não aparece formalmente como sócio da IT7, empresa de tecnologia que, segundo investigações da Operação Lava Jato, era usada pelo ex-parlamentar petista como duto de propinas. A informação foi divulgada pela Caixa Econômica Federal, banco público que mantém dois contratos cuja soma é de R$ 87,4 milhões com a companhia.
Segundo a Caixa, no primeiro contrato, firmado em 2012, os donos da empresa eram João Batista Comelli Netto, Michel Lasagno Comelli, Marcelo Simões e Diego Deboni Rosseto. No segundo contrato, de 2013, os sócios são os mesmos, mas a empresa mudou o nome de IT7 Sistemas para CMSD Tecnologia. A defesa de Leon também afirma que ele nunca fez parte do quadro societário da empresa.
Trata-se de um valor bem maior do que o estimado pelo juiz Sérgio Moro nas justificativas da ordem de prisão do ex-parlamentar. O juiz que atua no Paraná estimava que a Caixa tivesse desembolsado algo em torno de R$ 50 milhões para a IT7.
A informação de que Leon Vargas, irmão do ex-deputado, é sócio da IT7 consta em relatório do Ministério Público Federal de 31 de março que embasou o pedido de prisão dos dois no dia 10 de abril, quando a força-tarefa que investiga o escândalo da Petrobras deflagrou a 11ª etapa da operação, dedicada aos negócios suspeitos de Vargas. Um relatório posterior da Procuradoria da República no Paraná, do dia 14 de abril, volta a fazer a afirmação, dizendo que o investigado Marcelo Simões era "sócio de Leon Vargas na IT7". Mas em outro trecho o mesmo relatório afirma: "Em que pese não constasse formalmente no quadro societário da IT7, (Leon Vargas) foi o principal responsável pela operacionalização da transação de lavagem de capitais envolvendo a iT7 ".
Ou seja, o Ministério Público aponta Leon como controlador da empresa de tecnologia.
Desde quando as suspeitas vieram à tona, no dia 10 passado, a Caixa suspendeu os pagamentos à empresa. O banco firmou dois contratos com a IT7 por meio de pregão eletrônico para fornecimento de licença de produtos da companhia Oracle (banco de dados) e serviços de manutenção. A empresa, segundo o banco estatal, venceu o pregão porque ofereceu o menor preço.

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