A família do senador Roberto Requião reassumiu ontem o comando municipal do PMDB em Curitiba. Por 56 votos contra 41, os delegados do partido elegeram o irmão do senador, o deputado federal Maurício Requião, como presidente. Ele venceu o atual dirigente Pedro Longo, que tentava a recondução, e fez a maioria dos integrantes da executiva municipal. A vitória do grupo vem depois de uma derrota, há cerca de 20 dias, quando a família tentou emplacar mais delegados junto às zonais que os opositores internos. Inconformado, Requião disse na época que estava se afastando da sigla na capital.
A eleição de Maurício era uma de suas pré-condições para continuar reafirmando a sua disposição em concorrer ao governo do Estado em 98. O senador trabalha em paralelo com a hipótese de ser o candidato do PMDB à presidência da República. ‘‘Isso (a eleição do irmão) não dá garantia de nada. Pelo menos, a vitória do nosso grupo serviu para corrigir aquele caminho que o PMDB estava tomando quando, por exemplo, lançou o Max (Rosenmann) para a prefeitura de Curitiba’’, disse Requião à Folha.
O senador foi crítico contumaz em 96 do lançamento de Rosenmann, hoje PSDB. O deputado teve um desempenho pálido na disputa e a sua candidatura foi respaldada pelo grupo de Pedro Longo. Requião não foi à convenção, que começou por volta do meio-dia, na sede do PMDB em Curitiba. Preferiu ficar na sua residência em Curitiba acompanhando os desdobramentos do processo eleitoral por telefone.
O novo presidente municipal do PMDB, Maurício Requião, disse ontem que ‘‘foi uma vitória dos que acreditam que o partido só terá perspectiva concreta de voltar ao Palácio Iguaçu com a consolidação da candidatura do senador Roberto Requião ao governo, nas eleições do ano que vem’’. ‘‘O PMDB não assistirá impassível ao processo de quebradeira do Estado nem se calará diante da corrupção e dos desmandos praticados por este governo que se instalou no Paranᒒ, emenda o deputado federal.
Derrotado, Pedro Longo não quis fazer análises ontem. Ele disse que o seu grupo vai tomar uma posição no decorrer da semana. Mas não descarta a possibilidade de uma debandada do partido. ‘‘Nós esperávamos outro resultado. Uma coisa eu consegui: forcei o partido a mostrar a sua verdadeira cara’’, assinalou.

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