Irmão de pedreiro descarta crime político
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sábado, 23 de setembro de 2000
Silvana Leão De Londrina 
Um dos irmãos do pedreiro Davi Henrique Pontes, de 23 anos, assassinado anteontem à noite durante comício no assentamento Maracanã, na zona oeste de Londrina, não acredita que o crime tenha sido motivado por questões políticas. Elias de Ponte, de 21 anos, disse que o assassino tinha ciúme do seu irmão porque Davi era muito trabalhador.
O comício era da candidata a vereadora do PSB Sandra Graça, ex-chefe de gabinete do prefeito cassado e afastado Antonio Belinati (PFL). Testemunhas do assassinato, ocorrido por volta das 20h30, apontam um rapaz conhecido como Toninho como autor dos disparos que atingiram Davi.
O Siate foi chamado para socorrer o rapaz, mas não chegou a tempo. Davi Pontes faleceu dentro de uma viatura do Pelotão de Choque do 5º Batalhão da Polícia Militar. O tiro que o levou à morte atingiu a região axilar direita. Outro tiro teria passado de raspão em sua cabeça. Familiares de Davi e conhecidos seus, presentes ontem ao velório realizado na casa da família, afirmaram que o rapaz era conhecido por ser muito honesto e trabalhador. Ele não devia nada para ninguém, vivia do serviço para casa. O dinheiro que ganhava era para ajudar em casa, disse Elias, um dos quatro irmãos de Davi. Ele lembrou que todos na família são evangélicos e por isso não frequentam bares e não têm vícios.
Elias disse ter percebido, tempos atrás, que Toninho vivia encarando o irmão, e que este dizia não ser nada sério. Acho que ele matou por ciúme, porque o Davi trabalhava muito e ele não se conformava com isso. De acordo com Elias de Ponte, Toninho é consumidor de drogas e já teria passagem pela polícia. Logo depois do crime o acusado desapareceu do assentamento.
Um rapaz que presenciou o assassinato e prefere não ser identicado, contou que minutos antes Davi, Toninho e mais duas pessoas envolveram-se em uma briga. O Toninho saiu com a camiseta rasgada, foi até em casa, trocou de roupa e voltou, puxando conversa de novo com os caras. Quando eles vieram para cima dele, o Toninho começou a se afastar e gritar para que saíssem de perto. Daí puxou a arma, deu dois tiros seguidos e saiu correndo. Segundo a testemunha, o acusado ainda teria se virado e disparado mais um tiro.
O inquérito para apurar a morte de Davi Henrique Pontes ficará a cargo do 3º Distrito Policial. Ontem, porém, o delegado Valdir Abrahão afirmou que ainda não tinha informações detalhadas sobre o caso. A Polícia Militar está fazendo rondas no assentamento à procura de informações e de pistas sobre o paradeiro do acusado do crime. O enterro do servente de pedreiro estava marcado para ontem, às 15h30, no Cemitério Jardim da Saudade.


