O deputado federal Augusto Farias (PFL-AL), irmão de Paulo César Farias, o PC, afirmou ontem que o também deputado federal Talvane Albuquerque (PFL-AL) contratou pistoleiros para matá-lo com o objetivo de sair da condição de primeiro suplente e assumir um novo mandato. Albuquerque é apontado pelas polícias Civil e Federal como o principal suspeito de ser o mandante da chacina que matou a deputada federal Ceci Cunha (PSDB-AL) e mais três pessoas, na última quarta-feira, em Maceió (AL). ‘‘Se o deputado contratou um pistoleiro para me matar, não tenho dúvidas de que ele mudou de planos e matou a deputada Ceci, já que eu havia contratado segurança pessoal e não estava na cidade no dia do assassinato’’, afirmou.
Augusto passou detalhes à polícia de como Albuquerque estaria planejando seu assassinato, informando números de telefones, horário e dia de conversas entre ele e o pistoleiro ‘‘Chapéu de Couro’’. As declarações de Augusto, segundo o ministro da Justiça, Renan Calheiros, ‘‘ajudam a polícia no trabalho do levantamento de provas para esclarecer a chacina’’.
Além do depoimento formal à polícia, Augusto fez um relato público, ontem, no Palácio dos Martírios, sede do governo alagoano, na presença do ministro. Ele contou que ficou sabendo que Albuquerque estaria planejando a sua morte por meio do deputado estadual Júnior Leão (PSDB), que é de Arapiraca (AL), mesma base política de Albuquerque e da deputada assassinada.
Em seguida, Augusto disse ter marcado uma reunião com o Júnior Leão e com o soldado da PM licenciado Farias, único detido no caso e que teve apenas o sobrenome divulgado pela polícia. O deputado afirmou que pediu ao soldado um encontro com o pistoleiro, em Juazeiro do Norte (BA), onde ele mora. O encontro com o pistoleiro aconteceu no dia 13 de novembro. O irmão de PC afirmou que ficou ouvindo de uma extensão conversas telefônicas entre o pistoleiro e Albuquerque. ‘‘O Chapéu de Couro sugeriu ao deputado que me matasse com um caminhão caçamba no momento em que eu atravessasse a avenida para caminhar na praia. Mas o deputado disse que não, que tinha que ser um tiro de 12 (escopeta) na cara’’, disse.

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