O irmão do prefeito Nedson Micheleti (PT), Nilton Roberto Micheleti, refutou em entrevista exclusiva à Folha de Londrina, as acusações feitas através da imprensa durante a semana pelo advogado do PT em Londrina, João dos Santos Gomes Filho. Segundo o advogado, membros do diretório petista teriam sido vítimas de uma ''tentativa de extorsão'' feita por ele.
Como indício, Gomes Filho apresentou uma carta assinada por Nilton e endereçada ao presidente do partido, Jacks Dias. A carta foi protocolada no diretório do PT no dia 5 de julho e diz: ''Favor analisar e ligar para combinarmos data para pagamento. Caso não receba nenhum retorno serei obrigado a entrar com cobrança judicial, que pode ter desdobramentos desagradáveis''. ''Considerei uma tentativa de extorsão, uma chantagem'', argumentou o advogado. ''Existe alguma coisa por trás disso. O partido foi exposto a uma chantagem. Existem pequenas diferenças que a legislação abarca'', afirmou.
Segundo Nilton que voltou sexta-feira de uma viagem de trabalho ao Ceará para responder a acusação a carta apresentada pelo advogado estava anexada a uma planilha em que ele detalhava gastos durante a campanha. ''Aquela carta era um bilhete que eu anexei à cobrança por serviços prestados ao PT no ano passado durante a campanha. Trabalhei inicialmente como voluntário mas no decorrer desse ano percebi que várias pessoas que trabalharam comigo, receberam para isso. Desconfio que o único voluntário mesmo fui eu'', salientou.
Nos cálculos de Nilton, ele deveria receber do partido R$ 23 mil. Ele cobra por exemplo R$ 8 mil pelos quatro meses de trabalho e outros R$ 6 mil pelo aluguel do carro. Na planilha, ele ainda relata que R$ 6 mil que teriam sido pagos ''pelo partido'' em parcelas entre janeiro e julho, reduzindo a suposta dívida para R$ 17 mil. ''Onde eu falo, 'vamos evitar as consequências desagradáveis' seria uma ação trabalhista contra um partido cujo meu irmão é prefeito da cidade. Isso seria desagradável para mim, para ele e para o prefeito.''
Nilton teria desistido de efetuar a cobrança após uma conversa com o tesoureiro do PT, Francisco Moreno. ''O Chico me explicou que é difícil o PT assumir uma dívida que não houve um contrato, não teria como justificar esse pagamento. Se eu quisesse receber teria que entrar com a ação trabalhista. Eu pensei e falei que se tivesse que entrar com uma ação, iria respingar no meu irmão e resolvi deixar para lá. E falei para o Chico que poderia rasgar isso porque eu não queria receber mais'', afirmou. De acordo com Nilton, apesar de ter recebido parte dos valores, o PT não reconheceu a dívida. ''O PT (sem mencionar os nomes) disse que isso não era uma dívida e que esses valores que eles estavam me passando era uma ajuda de custo porque eu estava em mudança de trabalho. Eu mesmo não aceitei esse tipo de declaração, porque não quero esmola de ninguém. Aí não teve mais conversa.''
O irmão do prefeito considerou a divulgação da carta como uma tentativa de vinculá-lo às denúncias de irregularidades nas contas da campanha de Nedson. Nilton admitiu que orientou a ex-assessora financeira da campanha, Soraya Garcia, a fazer a denúncia caso houvesse alguma irregularidade. ''Existe uma tentativa de me vincular com as denúncias de caixa 2. O que não é verdade, eu não tenho nada a ver com isso'', disse, anunciando medidas judiciais contra o PT. ''Eles serão interpelados com relação a essa declaração porque ficou muito claro que não é aquilo. Quem é que faz uma chantagem, ameaça por escrito e protocolado e deixado na sede do partido. parece que foi uma ilação um pouco maldosa que eles fizeram'', afirmou o advogado Paul Kelter.
Nilton fez questão de restringir o problema ao partido, isentando o prefeito. ''Quero deixar bem claro que em nenhum momento estou brigando como o meu irmão. Tenho alguns problemas com o Partido dos Trabalhadores e não com o Nedson. O Nedson é uma pessoa que eu respeito muito, que eu confio, admiro muito. Não quero envolver nem ele nem a minha família na minha discussão com o partido'', afirmou.
Apesar de afirmar que confia no irmão, Nilton admitiu que acredita ser ''possível'' algumas irregularidades durante a campanha. ''Pelo o que eu estou vendo pela imprensa hoje, eu acredito que seja possível, embora o próprio Nedson tenha me dito que não. O Nedson me afirmou que não há nada de irregular e até então, a palavra dele é o que vale para mim'', disse. ''Estou muito triste. Não foi para isso que a gente trabalhou. As pessoas para as quais eu pedi voto na rua, muitas vezes votavam confiando em mim e não no candidato que eu estava apresentando e eu tenho que dar respostas a essas pessoas hoje'', finalizou.
Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, Nedson não está comentando o caso. Durante a semana, ele teria declarado que ''sempre ajudou o irmão e que no momento está rezando por ele''.

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