Salvador Rodrigues Junior, irmão do detetive particular Paulo Rodrigues, também prestou depoimento à Promotoria de Investigações Criminais (PIC) sobre o caso que apura o vazamento de informações e documentos sigilosos da Sercomtel. O coordenador da PIC, Leonir Batisti, confirmou os depoimentos dos irmãos mas ressalvou que o conteúdo deles é sigiloso e por isso não poderia dar detalhes.
Entretanto, Batisti garantiu que não foram indicados nomes de funcionários da Sercomtel nos depoimentos e apontou que o que se está divulgando na imprensa são boatos referentes a algumas possibilidades. ''Não sabemos quem ou quais pessoas poderiam ter contribuído para a quebra de sigilo dessas informações. No depoimento, o que se tem são pseudônimos'', garantiu Batisti. De acordo com o coordenador, a única informação oficial e apurada até o momento é que esses documentos vazaram realmente da Sercomtel. ''Qualquer outra informação que eu der será leviandade'', argumentou.
Rodrigues Junior negou qualquer envolvimento com o caso, inclusive o fato de ter prestado depoimento. ''Você que está dizendo isso'', rebateu à pergunta feita pela reportagem. ''A única pessoa que pode falar é o Paulo e ele não fala nem com a família'', acrescentou. Rodrigues Junior justificou que está retomando seu trabalho e não quer ser incomodado pela imprensa. ''Não saiu meu nome com relação a esse caso, então não sou eu'', declarou. A Folha voltou à residência de Paulo Rodrigues e o porteiro confirmou que ele ainda não apareceu por lá.
O presidente da Sercomtel, João Rezende, não quis dar esclarecimentos sobre a sindicância interna que investiga o caso na empresa desde o dia 6 de outubro. ''Põe aí que o presidente não quer dar entrevista'', declarou. Anteontem, Rezende havia afirmado que o trabalho da sindicância seria sigiloso e que ele não tinha obrigação de dar detalhes do andamento, apesar de se tratar de uma empresa pública.
A PIC encontrou contas telefônicas detalhadas do prefeito Nedson Micheleti (PT) e do secretário de Obras Aloysio Crescentini de Freitas nas mãos de Paulo Rodrigues, além de documentos judiciais com pedidos de informações de assinantes para encaminhamento de processos. O detetive foi detido em outubro por porte ilegal de munição mas foi liberado posteriormente. Desde então, o caso está sob investigação.

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