O advogado Roberto Moysés, ex-cunhado do banqueiro Salvatore Alberto Cacciola, deverá ser convocado a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a operação de socorro do Banco Central aos bancos Marka e FonteCindam. Esta semana, segundo o senador João Alberto (PMDB-MA), relator da CPI, será analisado pela comissão o documento de rescisão de direitos, firmado entre Cacciola e o ex-cunhado, que fora encontrado num dos envelopes lacrados apreendidos na casa do banqueiro.
A Polícia Federal e o Ministério Público vão investigar, também, a denúncia de que Moysés seria sócio de Cacciola na empresa Federal Town Internacional Corporation, que seria uma subsidiária do Marka com finalidade transferir dinheiro para o exterior. Em janeiro, teriam saído do País, por meio da FTI, US$ 17,5 milhões, que vêm somar-se aos US$ 17 milhões enviados ao exterior por Cacciola, também em janeiro, por meio do fundo Innovation, então administrado pelo banco Stock Máxima. ‘‘Não tenho a menor idéia do que se trata’’, disse ontem o advogado de Cacciola, José Carlos Fragoso. ‘‘Deve ser mais uma das acusações sem fundamento que vêm sendo feitas neste caso.’ O senador João Alberto disse que não se trata de Títulos da Dívida Agrária (TDAs) a cessão de direitos firmada entre Moysés e Cacciola.
‘‘Não havia nenhuma referência a isto no documento’’, diz o senador, que participou da abertura dos envelopes, na sexta-feira, ao lado dos procuradores responsáveis pelo caso e do próprio Salvatore Cacciola.
‘‘Era apenas uma cessão de direitos, sem valor estipulado, que estava sendo rescindida.’ O senador acredita a princípio tratar-se de uma tentativa do banqueiro de passar bens para o nome de terceiros, para fugir confisco judicial.
O procurador da República Arthur Gueiros, um dos responsáveis pelo caso, também considera plausível a hipótese, ‘‘diante do contexto conturbado’’ do início das investigações.

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