Irmã de chefe do MP já seria alvo de investigação
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sexta-feira, 16 de abril de 2010
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público (MP) do Paraná informou ontem em nota encaminhada à Reportagem que o nome de Maria Ricardina Ruppel Sotto Maior, irmã do chefe máximo do MP, Olympio de Sá Sotto Maior, está incluído na lista de funcionários investigados por conta dos cargos que ocupam na Assembleia Legislativa (AL) do Estado. Primeiro, o MP encaminhou uma nota à Reportagem se referindo a duas portarias que foram instauradas no final da última semana para apurar a contratação de todos os funcionários comissionados pela Presidência do Legislativo, caso de Maria Ricardina, nomeada pelo presidente da Casa, Nelson Justus (DEM), em fevereiro de 2007.
Mas, posteriormente, já no início da noite de ontem, o procurador de Justiça Arion Rolim Pereira, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público, informou via assessoria de imprensa que Maria Ricardina já era alvo de investigação antes mesmo das duas portarias da última semana, instauradas em função de denúncias levantadas pela RPCTV em parceria com o jornal Gazeta do Povo. Ontem, contudo, Rolim Pereira não soube informar desde quando ela estaria sendo investigada e nem os detalhes da apuração.
O caso de Maria Ricardina não é novo, daí a polêmica em torno da atuação do MP até agora: uma reportagem da FOLHA publicada no final de 2008 já havia tratado do caso de Maria Ricardina, que nunca trabalhou na Presidência da AL, embora nomeada.
Questionado se a relação do procurador-geral de Justiça com o Legislativo, por conta do parentesco com Maria Ricardina, poderia interferir nas investigações, Rolim Pereira afirma que a própria lei tem mecanismos para impedir tal situação: ''Como ele tem parentes no Legislativo (além de Maria Ricardina, um irmão e dois sobrinhos), ele está impedido de participar das investigações''.
Em relação a Richard e George, filhos de Severo Sotto Maior, que é diretor legislativo da AL e irmão do chefe máximo do MP, o MP afirmou, através da mesma nota, que a Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público ajuizou em 18 de março de 2008 uma ação em que pedia a exoneração imediata, no âmbito da Assembleia Legislativa do Estado, de todos os parentes de deputados estaduais, diretores e demais autoridades. O processo, que tramita na 2Vara da Fazenda Pública, aguarda o julgamento.
''Fica claro que a existência de parentes do procurador-geral de Justiça na Assembleia Legislativa não tem de nenhuma maneira impedido o trabalho do Ministério Público na apuração dos fatos, até por que todos os procedimentos investigatórios envolvendo a Assembleia estão sob responsabilidade de promotores e procuradores de Justiça que têm independência funcional para tomar todas as providências que considerarem cabíveis'', continua a nota.


