Com mais de 60% de vantagem sobre seus adversários, o candidato do PMDB ao governo de Goiás, senador Íris Rezende é, até agora, o campeão em preferência nas pesquisas eleitorais. Na semana passada, Íris tinha quase 70% das intenções de votos, contra pouco mais de 8% do segundo colocado, o deputado Marconi Pirilo (PSDB) e 4% de Osmar Magalhães, do PT, que está em terceiro lugar. Íris tem subido em torno de 5% nas pesquisas a cada 15 dias. Sua intenção é chegar em 4 de outubro com mais de 80% dos eleitores e dar ao presidente Fernando Henrique Cardoso a maior votação proporcional em todo o País. Se Íris ganhar a eleição, governará o Estado pela terceira vez.
Desde que deixou o Ministério da Justiça, em abril, Íris conseguiu, segundo seus assessores, cerca de 200 das 240 prefeituras de Goiás. Entre elas, estão 50 que eram de oposição ao governo, incluindo várias do PSDB, partido de Pirilo. ‘‘Vou governar com Goiás, por isso os prefeitos confiam em mim’’, afirma o candidato. Seu adversário, porém, diz que Íris pressiona os prefeitos para obter o apoio. ‘‘Quero que ele aponte um prefeito que recebeu pressão’’, rebate Íris.
Apesar de estar bem à frente dos adversários, o candidato do PMDB parece que ainda está no início da campanha eleitoral. Durante o dia faz comícios, carreatas e visitas pelo interior. À noite, fica em Goiânia, tradicionalmente um reduto da oposição - os dois últimos prefeitos eram do PT e PSDB - percorrendo inaugurações de comitês de candidatos de um dos 13 partidos a qual está coligado, ou reunido com assessores de campanha. Nunca vai dormir antes da meia-noite ou acorda depois das 6 da manhã.
Do outro lado da cidade ou do Estado está Dona Íris, sua mulher e candidata a primeira suplente na chapa do candidato ao senado, Maguito Vilela, também do PMDB. ‘‘Eu sou um aluno da escolinha do professor Íris’’, diz Vilela, substituto de Íris no governo, em 1994. ‘‘Aliás, ele não é mais professor, é reitor’’, acrescenta o candidato ao Senado. Maguito Vilela fala com razão. Afinal, saiu da desconhecida Jataí, no Sul do Estado, para se tornar o deputado estadual mais votado de Goiás, deputado federal, vice-governador e governador. Hoje é o candidato ao Senado mais bem posicionado no País: tem 75% da preferência do eleitorado goiano. Tudo pelas mãos de Íris Rezende. ‘‘Eu conhecí o Íris quando era menino, e ele já era presidente do grêmio do Liceu de Goiânia’’, vangloria o deputado federal do PMDB, Barbosa Neto, outra de suas crias. ‘‘Naquele tempo (1955) ele já era político’’, diz Neto.
A vida política de Íris Rezende começou mesmo na escola. Foi dirigente de grêmios estudantís por duas vezes antes de se tornar o vereador mais votado de Goiânia, em 1959. Depois, foi deputado estadual e prefeito da capital, quando foi cassado pelo regime militar, em 1969. Mas continuou as atividades políticas, disfarçadas de assistente de prefeitos do interior. Anistiado, o candidato do PMDB foi eleito governador de Goiás, em 1983. A sete dias da eleição, em 1982, quase sofreu um atentado, conforme revelou um documento do extinto SNI de 8 de novembro daquele ano. Anos mais tarde seria o ministro da Agricultura de Sarney, e foi o responsável por uma das maiores safras brasileiras.
Íris prefere temas mais polêmicos como a reforma agrária. ‘‘Vamos assentar as famílias sem-terra’’, promete, com uma ressalva: ‘‘Mas tudo dentro da lei’’. Os eleitores já conhecem seu discurso inflamado, mesmo que seja para falar com um grupo de agrônomos sobre o bicudo do algodoeiro, ou sobre o presidente FHC em grandes comícios.
O sonho de Íris é tornar Goiânia a capital do Centro-Oeste, e ganhar mais peso político no governo, onde o único cargo importante é do secretário de Políticas Regionais, Ovídio de Angelis. Para lá, pretende chamar grandes indústrias, mas pretende voltar ao velho estilo de trabalho que o popularizou em 1983, quando foi eleito governador pela primeira vez: os mutirões. ‘‘Eu morava em São Paulo e vim pescar em Goiás quando vi aquele monte de gente construindo casas na beira da estrada’’, conta o deputado federal Sandro Mabel (PMDB). ‘‘Parei o carro e fui ajudar a fazer casas, pois o próprio governador estava lá, com o povo’’, acrescenta Mabel.Arquivo FolhaNa pontaÍris: preferido do eleitor tem história de resistência à ditadura e de mutirõesEdson Luiz
Agência Estado

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