Iris Rezende recusa ministério e mantém sua candidatura
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quarta-feira, 11 de dezembro de 1996
Agência Folha 
BRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso fracassou na sua tentativa de interferir diretamente na disputa entre PMDB e PFL pela presidência do Senado. O senador Iris Rezende (PMDB-GO) recusou o convite de FHC para ser o novo ministro dos Transportes. Ao convidar Iris para o ministério, o presidente pretendia tirá-lo da disputa pela presidência do Senado para favorecer a candidatura do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), um dos líderes mais importantes do partido.
O convite a Iris foi feito na última sexta-feira e foi confirmado pelo próprio senador. Ele disse que recusou a oferta, afirmando a FHC que não vai abandonar a disputa pela presidência do Senado. Eu disse ao presidente que me sentia muito honrado com o convite, mas que meu projeto é presidir o Senado, afirmou Iris. Atualmente, o Ministério dos Transportes é chefiado por Alcides Saldanha, que substituiu interinamente Odacir Klein. Os peemedebistas reivindicam para o partido o ministério.
A conversa entre entre o presidente e o senador aconteceu dentro do avião presidencial, durante a viagem de FHC a Goiás para a inauguração da duplicação do trecho da BR-060 que liga Anápolis a Goiânia. Após o convite - e a recusa -, o senador disse ao presidente que a decisão do PMDB é de não abrir mão de disputar o cargo, hoje ocupado por José Sarney (PMDB-AP).
Iris é apontado pelos próprios peemedebistas como o candidato com mais chances de vencer ACM em uma eventual eleição secreta no plenário, no dia 1º de fevereiro. Iris disse esperar neutralidade de FHC, porque considera que o presidente dividiria a base de sustentação do governo se ficasse do lado de um dos postulantes ao cargo.
O PMDB ainda não definiu quem será o candidato do partido. A bancada de 22 senadores vai escolher entre Iris e o líder Jader Barbalho (PA). Os peemedebistas estão fazendo consultas aos senadores de outros partidos, para ver quem tem mais chances de vitória.
Os partidos de oposição (PT, PDT, PSB e PPS), que somam 11 votos, declararam apoio a Iris. O PSDB (13 senadores) ainda não decidiu quem vai apoiar. A maioria apóia ACM. O partido de FHC deverá ser o fiel da balança. A bancada do PFL (com 21 senadores) ainda não se reuniu para oficializar a candidatura de ACM. O 1º secretário do Senado, Odacir Soares (PFL-RO), tem afirmado que também quer ser candidato e que vai disputar, na bancada, com o colega baiano.
O PMDB acha que o cargo de Sarney é do partido, porque tem o maior número de senadores (22). Tradicionalmente, a maior bancada indica o presidente do Senado.


