BRASÍLIA - O candidato do PMDB à presidência do Senado, Íris Rezende (GO), disse ontem que seu partido vai derrubar a emenda da reeleição se não conseguir eleger ele próprio e o deputado Michel Temer (PMDB-SP) para a presidência da Câmara. ‘‘Se o PMDB não ficar com a presidência das duas Casas, a emenda da reeleição não passa’’, afirmou. O senador disse que não se trata de chantagem contra o governo, mas de uma ‘‘posição política’’. A chantagem só ocorreria, na sua avaliação, se o partido estivesse reivindicando algo ilícito. ‘‘O partido busca posição de poder pela sua condição de majoritário no início da legislatura’’, defendeu.
O senador disse ser favorável à reeleição, mas que vai mudar seu voto, se se sentir prejudicado na disputa pela presidência. ‘‘Não vou dar o meu voto para que ele signifique o meu esmagamento.’’ Segundo ele, essa postura é compatível com a de qualquer político, ‘‘que antes de tudo deve obedecer à sigla partidária a que pertence’’. Íris Rezende antecipou que a estratégia do partido para rejeitar a emenda da reeleição, se for o caso, leva em conta o ‘‘vínculo político’’ existente entre senadores e deputados. Os senadores teriam condições de influir na votação, ao pedir que os deputados amigos sigam a sua orientação. ‘‘Mais da metade dos deputados têm relações fortes com senadores’’, argumentou. ‘‘É que eles vêm todos do mesmo forno, da mesma batalha.’’
O candidato do PFL à presidência do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), não quis comentar as declarações do adversário. ACM limitou-se a reafirmar que vai vencer a eleição. O líder do PMDB, Jáder Barbalho (PA), disse que ainda não havia conversado com Rezende e que, por ora, sua única intenção é a de respeitar a decisão da convenção nacional do partido, que proibiu seus filiados de votarem a emenda da reeleição no período de convocação extraordinária do Congresso. ‘‘Só a partir de 15 de fevereiro é que falarei de reeleição’’, afirmou. Barbalho previu que, ‘‘no prazo oportuno, a emenda será votada com muita tranquilidade’’.
As declarações do senador Íris Rezende surpreenderam seus colegas de partido. O senador Ney Suassuna (PB) tentou mudar o sentido das afirmações, dizendo que as frases de Rezende foram mal colocadas.

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