Arquivo FolhaDiferenteAntonio Carlos: ‘‘Na Bahia não tem disso não’’Favorito na disputa pelo governo de Goiás, o senador Íris Rezende (PMDB) criticou seus adversários do PSDB, PFL, PTB e PPB que tentam impedir a presença do presidente FHC no palanque do PMDB. Em Goiás, os quatro partidos que participam da coligação nacional em favor da reeleição uniram-se em torno da candidatura do deputado tucano Marconi Perillo ao governo. ‘‘Se o presidente atendê-los terá prejuízos, porque o povo de Goiás está do meu lado’’, resumiu Íris, que visitou ontem o comitê central da reeleição.
Mas o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL), presidente do Congresso, disse que a despeito da decisão do conselho político do comitê central de Fernando Henrique, que não quer FHC em praças públicas nas visitas aos estados, na Bahia será diferente: ‘‘Se fizerem o ato político em lugar fechado eu abro, porque na Bahia não tem disso não’’, disse o senador, referindo-se ao temor dos conselheiros de que a campanha em locais públicos seja ofuscada ou perturbada por manifestações contra o governo.
A regra de evitar os comícios em locais abertos foi pensada para todo o Brasil. A avaliação geral da coordenação da campanha é a de que serão inevitáveis os protestos contra um governo que reagiu contra privilégios de funcionários públicos e de juízes, e foi forçado a tomar medidas que sacrificaram a classe média e os aposentados. Mas nos locais comandados por caciques políticos aliados do governo, casos da Bahia e do Ceará do governador tucano Tasso Jereissati, a palavra final sobre a campanha caberá a essas lideraças regionais.
‘‘Eu estou preparado para fazer a campanha ao gosto do freguês em Salvador ou no interior, mas na Bahia não há necessidade de se restringir os atos políticos a locais fechados’’, argumentou o senador.
Na eleição de 1994, Antonio Carlos, que estava trocando o governo da Bahia pelo Senado, recebeu o então candidato a presidente no palanque e nas ruas de Salvador. Fernando Henrique foi saudado pelos baianos e percorreu as ruas do Pelourinho ao ritmo do Olodum, sem que tivesse ocorrido nenhum incidente. Em todas as passagens do então candidato Fernando Henrique pela Bahia, o estilo de programação foi sempre descontraído. (A.E.)

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