BRASÍLIA - No período de quatro meses, o senador Íris Resende passou da condição de principal adversário do governo dentro do PMDB para a de pólo capaz de agregar o partido ao governo. Foi em torno de Íris que o PMDB se uniu contra o governo, em sua convenção nacional do dia 12 de janeiro, na qual o partido criou o mais sério obstáculo à votação da reeleição, marcada para o dia 15. Na ocasião, o PMDB decidiu só votar a emenda depois da eleição das Mesas da Câmara e do Senado, em fevereiro, produzindo a mais grave crise entre o PMDB e o Palácio do Planalto.
Por causa desta decisão, o presidente Fernando Henrique convocou os principais líderes do partido ao Palácio do Planalto - inclusive José Sarney - e passou-lhes o que muitos chamaram de uma ‘‘descompostura’’.
O governo enfrentou a decisão e levou a emenda à votação. Íris Resende, Jáder Barbalho e Ronaldo Cunha Lima comandaram movimento de obstrução de suas bancadas na Câmara: os peemedebistas de Goiás, Pará e Paraíba se ausentaram. O rompimento durou apenas 15 dias. Estes peemedebistas votaram a favor da reeleição no segundo turno da votação.

mockup