O senador Iris Rezende (PMDB) adiou o pronunciamento que faria esta semana no Senado sobre o caso do desvio de R$ 7,5 milhões da Caixa Econômica de Goiás (Caixego), em outubro de 1998, que envolve o PMDB do Estado. O senador peemedebista teme que a sua fala possa influir negativamente em decisões da Justiça.
O Tribunal Regional Federal (TRF), em Brasília, ainda não julgou o pedido de habeas-corpus (garantia de liberdade para quem está em vias de sofrer coação) em favor de seu irmão, Otoniel Machado Carneiro, que teve a prisão preventiva decretada.
‘‘O senador quer ter segurança. Não quer que nenhum componente possa atrapalhar essa questão’’, disse Deusmar Barreto, assessor de Iris. Carneiro é acusado pelo Ministério Público Federal de ter recebido R$ 5 milhões em espécie do ex-liquidante da Caixego, Edivaldo Andrade. O dinheiro teria sido usado na campanha do PMDB, cujo coordenador do comitê eleitoral era Otoniel Carneiro. O senador disputou o governo de Goiás e perdeu a eleição para Marconi Perillo (PSDB). Maguito Vilela foi eleito senador.
A Procuradoria da República em Goiás quer que o Supremo Tribunal Federal autorize investigação sobre Iris e Vilela. Na denúncia, os procuradores afirmam que o dinheiro desviado foi usado também ‘‘em proveito da campanha eleitoral dos candidatos às eleições majoritárias pela coligação Goiás Rumo ao Futuro’’. Carneiro, Iris e Maguito negam as acusações.
O pronunciamento de Iris está pronto, mas somente na terça-feira ou no dia seguinte ele o fará, caso o TRF julgue o pedido de habeas-corpus. Na definição que fez com os seus assessores, Iris vai dizer principalmente que o caso é político e que está sendo orquestrado pelo Palácio Esmeraldas, que está ocupado agora pelos tucanos - após 16 anos de ocupação peemedebista.
Iris vai dizer que, por trás das investigações, estão os seus adversários, que tentam atingir o PMDB e os seus líderes em Goiás. Com isso, estará criticando também indiretamente o Poder Judiciário - ele já vem criticando abertamente o procurador da República Hélio Telho. O senador também deverá entrar no mérito das denúncias. Nesse caso, vai dizer que Valdemar Zaidem - advogado dos ex-funcionários da Caixego - ficou com o dinheiro desviado, não o seu irmão e o PMDB. A principal prova contra o PMDB e Carneiro são as escutas telefônicas autorizadas pela Justiça.
As gravações levaram Andrade, o ex-liquidante da Caixego, e Carneiro para a prisão, sob a acusação de desviar o dinheiro. Eles foram libertados posteriormente com a obtenção de liminar no TRF. Os R$ 5 milhões que teriam ido para o PMDB estavam destinados a pagar ação trabalhista de ex-empregados da Caixego.
Pelo acordo trabalhista, 124 ex-funcionários teriam que receber R$ 10 milhões, mas só ficaram com R$ 2,5 milhões. Dos R$ 7,5 milhões que restaram, o PMDB teria ficado com dois terços e o restante teria sido dividido entre todos os envolvidos. Oito pessoas são acusadas pelo Ministério Público Federal.

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