O tenente reformado do Exercito Geraldo Ferreira da Silva, de 57 anos, foi contido por policiais militares ontem depois de quebrar e danificar a chutes e socos cinco placas de propaganda política do presidente Fernando Henrique Cardoso. O fato ocorreu no centro de Belo Horizonte e só uma das seis placas de madeira - que possuíam cerca de dois metros de altura, por um metro e meio de largura - permaneceu de pé. Não foi registrada ocorrência policial.
As placas ficavam encostadas em árvores do canteiro central de uma das principais avenidas do centro da cidade e estampavam a foto de FHC, com a frase ‘‘Avança Brasil’’. ‘‘Infelizmente não foram todas’’, lamentou Silva, sobre a placa que escapou à revolta. Mas ele mandou um recado: se achar mais propaganda de FHC nas ruas, vai quebrar tudo. ‘‘Lá em casa ainda vai. Eu não vou jogar um tijolo na televisão, pois vou sair no prejuízo. Mas no lugar que eu passo?’’, pergunta indignado. ‘‘Considerei um deboche, uma afronta’’.
Silva, que irá votar em Enéas, diz estar revoltado com o presidente por achá-lo um ‘‘entreguista’’ e por considerá-lo o responsável pelo desemprego no País. ‘‘Tem muito cidadão que tem vontade de fazer o que eu fiz, mas não tem coragem. Pisei com prazer.’’
Márcio Gabriel Diniz, integrante da comissão de fiscalização da propaganda política do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Minas Gerais, disse que o órgão vai fiscalizar as placas, que estão em outros pontos da cidade, e acha, em princípio, que elas são irregulares.
Ele diz que a lei não permite propaganda política presa a árvores e também suspeita que as placas poderiam estar atrapalhando o trânsito de pessoas no canteiro central da avenida.
O coordenador do comitê regional pró-campanha FHC (responsável pela colocação das placas), Jaldo Retes, disse que não consultou nenhum órgão antes de colocar as propagandas e não tem certeza se elas são irregulares ou não.

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