Brasília - Assim como ajudou o ex-deputado João Alves a ganhar 221 vezes na loteria esportiva, Deus também parece ter dado uma mãozinha para o líder do PP na Câmara, José Janene. Parlamentar de muitas posses e dono de influência invejável no Congresso, Janene tem êxito até ao se aventurar em jogos de loteria. Na declaração de Imposto de Renda que entregou à Justiça Eleitoral no pleito de 2002, ao qual o Grupo Estado teve acesso, ele declarou ter ganho na Mega-Sena no ano de 2001.
Para as quantias milionárias que a Mega-Sena costuma distribuir, o prêmio pago ao líder do PP foi modesto: R$ 36.184. Relativamente pouco, mas o suficiente para justificar seus rendimentos naquele ano. Segundo o deputado declarou à Receita Federal, não houve variação nos seus bens na comparação entre 2001 e 2000. Janene, que estimou seu patrimônio em cerca de R$ 1 milhão, registrou na declaração ter recebido R$ 128 mil de salários como deputado (ele já era parlamentar antes de 2002), R$ 93 mil de diárias da Câmara e R$ 5 mil de uma empresa dele.
A única diferença entre os dois anos, além do prêmio, é a quitação de R$ 33 mil em dívidas com o Banco do Brasil. Valor próximo do dinheiro ganho oficialmente com a Mega-Sena. Janene entregou o Imposto de Renda ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná porque, como todo candidato, precisava registrar uma declaração de bens antes da campanha. Essas declarações são públicas, assim como a prestação de contas dos candidatos. A sorte no jogo une Janene a outro cassável famoso na história da Câmara. Em 1993, a CPI do Orçamento descobriu que, para justificar seu patrimônio, o deputado João Alves, do então PPR baiano, ganhara oficialmente 221 vezes na loteria.
Janene confirmou ontem o prêmio na loteria. ''Foi a única vez que eu ganhei na minha vida. Foram três quinas e recebi na Caixa Econômica Federal'', garantiu. (Colaborou Cristiane Oya)

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