IPVA vai bancar passe livre a alunos do 6ª ao 9ª anos
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
Foi aprovado ontem, em segunda discussão pela Câmara Municipal de Londrina (CML), projeto de lei que estende para todos os alunos do 6º ao 9º anos do ensino fundamental e do ensino médio a gratuidade no transporte coletivo. Hoje, esses estudantes pagam meia tarifa. Os alunos de 1º ao 5º anos já têm passe livre desde o início do ano. Já os alunos de cursos pré-vestibular, de graduação e pós-graduação continuam tendo direito a desconto de 50%.
O benefício vai custar R$ 8,35 milhões por ano e o recurso provém da cota-parte do município na arrecadação do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotoros (IPVA), cuja alíquota foi reajustada em 40% pelo governo do Beto Richa (PSDB) e passa a valer a partir de 2015. De acordo com a chefe do Núcleo Regional de Educação, Lúcia Cortez, Londrina conta com cerca de 30 mil estudantes da rede estadual de ensino do 6º ao 9º anos. O projeto não menciona quantos alunos serão beneficiados pela gratuidade.
Uma das emendas, de Lenir de Assis (PT), prevê que o Executivo deve recalcular o valor da tarifa do transporte coletivo, uma vez que o município, agora, vai subsidiar os 50% da tarifa dos estudantes. "Este valor era suportado por todos os pagantes e agora vai ser pago pelo município. Então, pode haver redução do valor da tarifa", sustentou a parlamentar.
A emenda mais polêmica foi a dos vereadores Douglas Pereira, o Tio Douglas (PTB), e Sandra Graça (SD), revogando a exigência de comprovação de renda familiar para que pessoas com deficiência possam utilizar o transporte coletivo gratuitamente. Com isso, o benefício se estende a todos.
A Comissão de Justiça concedeu parecer contrário, apontando vício de origem, já que vereadores não podem apresentar emendas que criem despesas ao Executivo. No entanto, os autores sustentaram que tanto o prefeito quanto a Companhia de Trânsito e Urbanização (CMTU) são favoráveis à proposta.
Elza Correia (PMDB) lamentou que a Câmara tenha que aprovar proposta com vício de legalidade, lembrando que havia um acordo para que, neste caso, o Executivo apresentasse o projeto ou emenda. "Tínhamos um acordo. E, agora, estamos abrindo as portas? De repente, isso vai virar moda", criticou, ressaltando, no entanto, ser favorável ao mérito da emenda.
O próprio líder do prefeito, Fábio Testa (PPS), falou sobre a "morosidade do Executivo em fazer os estudos de impacto da medida e apresentar projeto para regularizar a situação".
A matéria, com as emendas, acabou aprovada por unanimidade e segue ao Executivo para sanção. A partir de 2015, os estudantes cadastrados na CMTU terão, portanto, 100% de gratuidade.


