IPVA abre crise na base governista
Leandro Donatti
De Curitiba
A proposta de antecipação do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), defendida pelo governo Jaime Lerner (PFL) como forma de reforçar o caixa nos primeiros cinco meses do ano, abriu uma crise na bancada lernerista. O relator da matéria, deputado Algaci Túlio (PTB), foi destituído da função por ter colidido com o líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), o intermediador das negociações com o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis.
Sem opção, o Palácio Iguaçu indicou Durval Amaral (PFL) para a relatoria do IPVA. Até algumas semanas atrás, Durval era visto com reservas pelo governo Lerner por ser um dos líderes dos deputados revoltados com a crise financeira do Paraná e que ficou conhecido como o Grupo dos 21.
Rossoni não assume que pediu a cabeça de Túlio. Disse que ficou ofendido com as declarações do deputado que, entre outras coisas, criticou a inflexibilidade do governo em ampliar o calendário do IPVA, fazendo ressalvas a algumas declarações de Rossoni. Ele (Túlio) falou demais. Sabia das nossas negociações com o governo e não precisava tripudiar em cima de mim, reagiu Rossoni.
O líder do governo acha que a postura de Túlio prejudicou as negociações com o governo. Estava caminhando tudo bem. Podíamos ter liquidado esta matéria na semana passada. Mas usamos da prudência. Mais prudência que estamos tendo, só com a lei dos recursos hídricos (que institui a cobrança de taxa pelo uso da água), comparou Rossoni.
Túlio não concorda com as críticas do líder do governo. Ele disse que deixou a relatoria do IPVA por conta própria, por não concordar com o encaminhamento da matéria. O desgaste político será maior do que o governo pretende arrecadar. Túlio disse que, como relator, tentou defender a extensão do calendário de pagamento até setembro, com descontos de 15% e 10% para pagamentos à vista em janeiro e fevereiro, respectivamente. A antecipação do IPVA, por exemplo, vai trazer prejuízos à Prefeitura de Curitiba, que vai deixar de arrecadar IPTU por conta disso, analisou Túlio.
O deputado mandou recado a Rossoni. Disse que tem assumido sozinho o ônus da antipatia. Túlio referiu-se à sua defesa em nome do governo, contra um novo calendário escolar que ampliava as férias e as atividades no litoral do Estado. Na hora do desgaste, só um leva, cobrou Túlio.
Durval Amaral, o novo relator do IPVA, começou a trabalhar ontem. O deputado não sabe se terá tempo hábil para apresentar substitutivo geral na reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), marcada para as 13h30 de hoje. Durval Amaral conversou no início da noite com o secretário da Fazenda por telefone. Gionédis continuava em viagem a Brasília.
Segundo o relator, um avanço foi conquistado na nova abordagem feita: desconto de 15% para os pagamentos à vista feitos em janeiro. O acordo só foi fechado formalmente ontem. Gionédis disse que não tem como ampliar o calendário de pagamento. O início da cobrança do IPVA será mesmo em janeiro, podendo os contribuintes parcelarem o valor do imposto em quatro vezes, a partir de fevereiro. Mais do que isso é impossível, assinalou o secretário da Fazenda.





