IPTU ameaça base aliada de Cassio
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de janeiro de 2002
Luiz Claudio Oliveira 
Curitiba - A correção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) em Curitiba pode mexer na base de sustentação do prefeito Cassio Taniguchi (PFL) na Câmara Municipal. Pressionados pela comunidade, vereadores aliados ameaçam romper com Cassio caso o prefeito não reveja a forma de cobrança do imposto.
O vereador Ney Leprevost (PPB) divulgou um comunicado com o título Vereadores aliados podem romper com prefeito por causa do IPTU. No texto, ele fala de forma contundente: Já estamos agendando uma reunião com o prefeito para o início da semana que vem. Vamos exigir que ele dê um freio nesse aumento que está provocando revolta na população.
No mesmo documento, Leprevost praticamente se exime de culpa por ter votado a favor do novo cálculo do imposto. Nós aprovamos a nova planta genérica aqui na Câmara, mas entendemos que ela está sendo utilizada equivocadamente para cobrar um IPTU abusivo à população.
Outros vereadores que fazem parte da ala conhecida como menudos por serem todos jovens e quase todos filhos ou parentes de outros políticos conhecidos também são aliados que podem romper com o prefeito. Entre eles estão os nomes de Reinhold Stephanes Júnior (PSDB), Alexandre Curi (PMDB) e Fábio Camargo (PSC).
Mas pelo menos uma das citadas, a vereadora Arlete Caramês (PPS), já negou passar para a oposição. Ninguém me chamou para conversar sobre isso, estão usando o meu nome indevidamente, afirmou. Ela concorda que o IPTU de Curitiba tem que ser revisto, mas acredita que isso já está sendo feito e cita como exemplo a revisão da cobrança no bairro Caximba.
Os outros, no entanto, parecem mesmo dispostos a pressionar. Fábio Camargo propõe que o governo municipal estique o prazo de correção do imposto aprovado pelos próprios vereadores. Nós vamos exigir que o prefeito dilua esse aumento de forma progressiva para os próximos três anos de mandato, diz. Ele deixa bem clara a ameaça: Se as coisas não mudarem, vamos para outro grupo.
Reinhold Stephanes Júnior concorda que a cobrança do imposto tenha como base o valor venal do imóvel, mas diz que há abusos por parte da prefeitura. Ele pretende apresentar um projeto de lei instituindo uma comissão formada por representantes da sociedade civil organizada, além de técnicos para analisar a nova base de cálculo do IPTU.
Durante a votação do imposto na Câmara Municipal de Curitiba, dos 32 vereadores, apenas os nove da oposição votaram contra o projeto


