Ipea: Previdência é uma bomba relógio
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sábado, 16 de agosto de 1997
Agência Estado Brasília 
De acordo com Francisco de Oliveira, do Ipea, o número de pessoas que contribui para a Previdência está crescendo menos que o número de beneficiários, em uma tendência que tende a se agravar. Em apenas 20 anos, as pessoas com mais de 70 anos de idade formarão o segundo grupo etário de maior concentração de população no País, fazendo explodir a clientela da Previdência. Ele afirma que o projeto de reforma da Previdência que está no Congresso, se aprovado, não conseguirá desarmar esta bomba. Precisaremos de uma segunda reforma, mais profunda, avisa.
O quadro é ainda mais desanimador quando se observa que desde 1993 a Previdência vem arrecadando menos do que tem a pagar. No ano passado, o buraco foi de R$ 7 bilhões aproximadamente. Isso equivale a duas vezes o preço pelo qual o governo vendeu o controle da Companhia Vale do Rio Doce. Para o ano de 2030, o cenário é catastrófico: o déficit chegaria a 7% do Produto Interno Bruto (PIB - soma dos bens, mercadorias e serviços produzidos no País). Considerando-se como constante o valor estimado do PIB atual com o qual o governo vem trabalhando agora, de R$ 850 bilhões, isso significaria um rombo anual de quase R$ 60 bilhões a partir de 2030.
Em 1990, existiam 31,1 milhões de contribuintes para a Previdência, um contingente que não chegou a crescer 5% até agora. Já a quantidade de beneficiários passou de 12,8 milhões para 16,9 milhões de pessoas, ou cerca de 28% a mais. No ano passado, havia 2,24 contribuintes para cada 1 beneficiário da Previdência. Isso significa que existiam 32 milhões de pessoas contribuindo para a Previdência sustentar 16,9 milhões de outras. Este ano, a relação já piorou mais um pouco, ao cair para 2,21.


